por Redação do Interior
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta segunda-feira (19) que será candidato ao governo do Estado nas eleições de 2026. Pela primeira vez de forma explícita, ele assumiu publicamente a pré-candidatura após meses de articulações políticas e viagens ao interior fluminense, que vinham sendo tratadas apenas como movimentos preliminares.
A declaração foi feita após a primeira reunião do secretariado municipal do ano, encontro que também pode ter marcado o encerramento do ciclo de Paes à frente da prefeitura. Ao seu lado estavam o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que deve assumir o comando do município, e o deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, dois dos principais articuladores do projeto eleitoral.
Para disputar o Palácio Guanabara, Paes precisa se desincompatibilizar do cargo até o dia 4 de abril, conforme a legislação eleitoral. A tendência, no entanto, é que a transição ocorra antes, com a posse de Cavaliere prevista para 20 de março. Aos 31 anos, o vice-prefeito se tornará o mais jovem a comandar a segunda maior capital do país.
Durante o anúncio, Paes reforçou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixando claro que essa posição não está em discussão. Apesar disso, sinalizou que pretende conduzir uma campanha focada em questões estaduais, evitando a nacionalização do debate eleitoral no Rio de Janeiro.
A avaliação interna é de que o alinhamento automático a disputas presidenciais nem sempre produz bons resultados no estado, especialmente em um cenário em que o governo federal enfrenta índices de rejeição elevados no eleitorado fluminense. Ainda assim, Paes reafirmou que estará ao lado de Lula em 2026, ao mesmo tempo em que buscará alianças amplas com diferentes grupos políticos.
Segurança pública e críticas a alianças com o crime
A segurança pública surge como um dos principais eixos da pré-campanha. Paes tem defendido que o Rio possui soluções viáveis para o problema da violência, mas rejeita qualquer aproximação entre o poder público e grupos políticos associados ao crime organizado.
Nesse contexto, ele fez duras críticas a articulações envolvendo o deputado estadual Rodrigo Bacellar e à possibilidade de apoio a candidaturas que, segundo ele, representariam a continuidade de práticas associadas ao Comando Vermelho. Paes afirmou que o PSD não apoiará nenhum nome ligado a esse tipo de articulação e que filiados que contrariem essa orientação poderão ser expulsos do partido.
As críticas também alcançaram o ex-presidente da Assembleia Legislativa André Ceciliano (PT), cujo nome é cogitado para uma eventual eleição indireta ao governo do estado, caso o governador Cláudio Castro (PL) deixe o cargo para disputar o Senado. O Rio está sem vice-governador desde a ida de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado, o que pode levar a Alerj a escolher um governador tampão.
Desafios eleitorais e composição da chapa
Embora lidere pesquisas na capital, um dos principais desafios de Paes é ampliar sua influência fora do município do Rio. Mais de 70% do eleitorado fluminense está concentrado na Região Metropolitana, o que torna a Baixada Fluminense e cidades do entorno, como São Gonçalo, estratégicas para a disputa.
Nesse cenário, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desponta como o nome mais cotado para ocupar a vaga de vice na chapa, justamente pela capacidade de agregar votos na Baixada.
Trajetória política
No quarto mandato como prefeito, Eduardo Paes se tornou o gestor mais longevo da história da cidade, superando seu antigo padrinho político, Cesar Maia. Agora, ao confirmar a pré-candidatura ao governo estadual, ele inicia formalmente uma nova etapa da carreira política, com o objetivo de transferir sua liderança municipal para um projeto de alcance estadual.
A decisão definitiva sobre a candidatura deve ser formalizada até o Carnaval, mas, nos bastidores, a corrida eleitoral já está em andamento.
