por Redação do Interior
O incêndio que atingiu um mercadinho no bairro Canafístula, em Arapiraca, na manhã deste domingo (18), não pode ser visto como um episódio isolado. O caso ocorre em meio a um cenário cada vez mais preocupante de incêndios em Alagoas, especialmente durante o período mais seco do ano, quando a combinação entre altas temperaturas, baixa umidade e ações humanas eleva significativamente o risco de ocorrências.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL), o fogo atingiu um estabelecimento comercial localizado na Rua Carteiro James Magalhães de Azevedo. O proprietário dormia dentro do mercadinho no momento em que as chamas começaram e precisou ser resgatado após a quebra de parte do telhado, numa ação rápida para evitar uma tragédia. Apesar do susto, não houve registro de feridos, mas o incêndio provocou danos ao telhado e destruição de mercadorias, gerando prejuízos materiais.
O Corpo de Bombeiros conseguiu controlar o fogo antes que ele se espalhasse para imóveis vizinhos, o que poderia ter ampliado os danos em uma área predominantemente residencial. As causas do incêndio ainda não foram identificadas oficialmente e serão apuradas.
O episódio em Arapiraca ganha ainda mais relevância diante dos números recentes divulgados pelo CBMAL. Somente na última terça-feira (13), foram registrados 16 incêndios em vegetação em um único dia, espalhados por diferentes regiões do estado. Entre os casos atendidos, estão ocorrências de grande complexidade em Craíbas, no Agreste, onde um incêndio de médias a grandes proporções atingiu uma plantação de milho em área de difícil acesso, exigindo o uso de técnicas como aceiro para conter o avanço das chamas.
Em Arapiraca, outro incêndio em vegetação, no bairro Senador Nilo Coelho, mobilizou duas viaturas e seis militares devido à proximidade com residências, evidenciando o risco direto à população urbana.
Os dados reforçam uma tendência alarmante: entre 1º e 13 de janeiro de 2026, já foram contabilizados 70 incêndios em vegetação em Alagoas. Em todo o ano de 2025, o estado registrou 907 ocorrências desse tipo. Especialistas e o próprio Corpo de Bombeiros apontam que, além dos fatores climáticos, práticas humanas como a queima irregular de lixo e a limpeza de terrenos com uso do fogo continuam sendo determinantes para o agravamento do problema.
Mais do que números, o incêndio na Canafístula funciona como um alerta concreto sobre os riscos que cercam áreas urbanas e comerciais em um contexto de pressão ambiental crescente.
O CBMAL reforça que evitar o uso do fogo em áreas abertas é essencial para prevenir prejuízos econômicos, danos ambientais e ameaças à vida. Em situações de incêndio fora de controle, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
