Clássicos da Poesia Alagoana: Judas Isgorogota, o poeta do silêncio que acolhe

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do Interior

Há poetas que levantam a voz. Outros, como Judas Isgorogota, escolhem o caminho mais raro: o do silêncio que diz tudo. Nesta quinta-feira, o Jornal do Interior celebra mais uma edição da série Clássicos da Poesia Alagoana, reafirmando que todas as terças e quintas são dias dedicados à palavra sensível, à memória e à beleza que resiste.

Judas Isgorogota, pseudônimo de Agnelo Rodrigues de Melo, ocupa um lugar singular na literatura alagoana. Sua poesia não se impõe — ela se aproxima. De rigor formal e lirismo contido, seus versos transformam cenas simples em experiências de profunda humanidade. Há, em sua escrita, um cuidado quase artesanal com cada palavra, como quem toca o mundo com delicadeza para não feri-lo.

Poemas como Monjas, Divina Mentira e Saudade revelam uma poética da contemplação e da compaixão. Neles, o silêncio fala, a saudade respira e os pequenos gestos ganham dimensão universal. Judas não escreve sobre grandes feitos; escreve sobre o que permanece depois deles. Sobre o que fica quando tudo parece ter passado.

Herdeiro do simbolismo, o poeta fez da linguagem um espaço de ternura. Sua poesia não é grito nem excesso — é escuta. Um convite à pausa em tempos apressados. Um lembrete de que a palavra pode ser abrigo, cuidado e encontro.

Ao trazer Judas Isgorogota para esta quinta-feira de poesia, o Jornal do Interior reafirma seu compromisso com a valorização da cultura alagoana e com a certeza de que, em meio ao ruído do cotidiano, ainda há espaço para o verso que acolhe, para o poema que permanece e para a sensibilidade que nos humaniza.

Porque aqui, todas as terças e quintas, a poesia encontra morada — e Alagoas se reconhece em seus poetas.

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