Investigação aponta denúncias de agressão sexual contra Julio Iglesias feitas por ex-trabalhadoras no Caribe

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por Redação do Interior

Uma investigação jornalística conduzida pelo elDiario.es, em parceria com a Univision Noticias, revelou denúncias de agressão sexual, assédio e abuso de poder contra o cantor espanhol Julio Iglesias, atribuídas a duas ex-trabalhadoras que atuaram em suas residências no Caribe em 2021. As informações são resultado de um trabalho de apuração que durou cerca de três anos.

Segundo a reportagem, as mulheres trabalharam como empregada doméstica e fisioterapeuta em propriedades do artista localizadas na República Dominicana e nas Bahamas, em regime interno. Ambas relataram um ambiente de trabalho marcado por controle rígido, humilhações constantes e desigualdade extrema de poder.

Relatos de violência e coerção

A ex-empregada doméstica, que tinha cerca de 22 anos à época, afirma que foi pressionada a manter relações sexuais com o cantor, descrevendo episódios de penetração não consentida, agressões físicas, como tapas, além de insultos e humilhações verbais. Segundo seu depoimento, os abusos teriam ocorrido de forma recorrente, geralmente após o fim da jornada de trabalho, em um contexto no qual ela se sentia incapaz de recusar por medo de perder o emprego e a moradia.

Já a fisioterapeuta relatou toques e beijos sem consentimento, além de situações degradantes e ofensivas durante o período em que prestou serviços ao artista. Ambas apontam que o comportamento ocorria em um ambiente no qual havia conhecimento ou tolerância de outros funcionários de confiança do cantor.

Material reunido pela investigação

De acordo com o elDiario.es, a apuração reuniu depoimentos detalhados, além de mensagens, documentos e outros elementos que sustentam os relatos apresentados. O veículo destaca que procurou Julio Iglesias e seus representantes para se manifestarem sobre as acusações, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Após a divulgação das denúncias, o Ministério da Igualdade da Espanha solicitou que os fatos sejam investigados até o fim pelas autoridades competentes. Integrantes do governo espanhol classificaram os relatos como graves e perturbadores, ressaltando a importância de garantir proteção às vítimas e apuração rigorosa dos fatos.

A vice-presidenta do governo espanhol e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, afirmou que as denúncias são “estarrecedoras” e defendeu que nenhuma figura pública está acima da lei.

Até o momento, não há confirmação pública de abertura de processo criminal ou denúncia formal contra Julio Iglesias. As acusações se baseiam na investigação jornalística e nos testemunhos das ex-trabalhadoras. O cantor, um dos artistas espanhóis mais conhecidos internacionalmente, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Debate público

A reportagem do elDiario.es destaca que o caso expõe as dificuldades enfrentadas por vítimas para denunciar abusos cometidos por figuras poderosas, especialmente quando os fatos ocorrem fora do país de origem e em contextos de dependência profissional. A investigação reforça o papel do jornalismo em trazer à luz denúncias que, segundo as próprias acusadoras, permaneceram silenciadas por medo e falta de proteção institucional.

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