Cortes do Congresso atingem políticas essenciais e fazem Ufal iniciar 2026 com orçamento 13% menor

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por Redação do Interior

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) inicia o ano de 2026 sob forte restrição orçamentária. A instituição terá um orçamento cerca de 13% menor em relação a 2025, resultado direto dos cortes aprovados pelo Congresso Nacional na Lei Orçamentária Anual (LOA), que reduziram os recursos destinados às universidades federais e a políticas públicas essenciais em todo o país.

No setor de Educação e Cultura, o Congresso abocanhou R$ 2,3 bilhões em emendas parlamentares, enquanto o orçamento direto das políticas estruturantes foi reduzido. Na educação superior, excluídos os gastos com salários, houve uma queda de 4,5% nas dotações, aprofundando um processo histórico de desfinanciamento das universidades públicas.

Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) revelam que, entre 2014 e 2025, o custeio real das universidades federais caiu 57%. Em 2014, o orçamento era de R$ 17,19 bilhões, valor que despencou para R$ 7,33 bilhões em 2025, comprometendo despesas básicas como manutenção, funcionamento de laboratórios, contratos terceirizados, aulas práticas e assistência estudantil.

No mesmo período, a dependência de emendas parlamentares cresceu de forma acelerada. As emendas individuais e de bancada destinadas às universidades federais aumentaram cerca de 285%. Em 2014, somavam R$ 148,4 milhões; em 2025, saltaram para R$ 571,1 milhões. A participação das emendas no orçamento discricionário das universidades passou de 0,86% em 2014 para 7,2% em 2025, evidenciando a substituição de financiamento estrutural por recursos pontuais e incertos.

Esse movimento se intensificou a partir de 2020, quando as emendas na área da Educação chegaram a R$ 3,233 bilhões. Em 2014, elas representavam R$ 306,7 milhões; em 2025, alcançaram R$ 1,893 bilhão.

Na Ufal, os impactos são diretos. A redução orçamentária afeta contratos de limpeza, vigilância, energia, manutenção predial, além de pesquisa, extensão e políticas de permanência estudantil, fundamentais para estudantes em situação de vulnerabilidade social. A reitoria alerta que o orçamento aprovado está abaixo do mínimo necessário para garantir o funcionamento pleno da universidade.

Para entidades representativas, o cenário compromete o papel estratégico das universidades públicas.

“Corte no custeio, corte na permanência, corte na pesquisa. A universidade pública não pode depender de ‘complementos’ incertos: precisa de financiamento estável e suficiente para ensino, pesquisa e extensão”, destaca o diretor do sindicato nacional da categoria.

Os cortes, no entanto, não se restringem à educação. A LOA de 2026 também reduziu recursos de programas sociais que atendem milhões de brasileiros, como Farmácia Popular, Seguro-Desemprego, Auxílio Gás, abono salarial, pensões e o programa Pé-de-Meia. O maior corte ocorreu na Previdência Social, que perdeu R$ 6,2 bilhões.

Gestores públicos apontam que o orçamento aprovado prioriza o pagamento da dívida pública e o favorecimento político via emendas, em detrimento de áreas estratégicas como educação, ciência, pesquisa e políticas sociais. Enquanto isso, universidades como a Ufal iniciam 2026 sob incertezas, com risco real de prejuízo à qualidade do ensino público, gratuito e socialmente referenciado.

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