Senadores dos EUA planejam votação para impedir ação militar de Trump na Groenlândia

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por Redação do Interior

O Senado dos Estados Unidos se prepara para enfrentar mais uma vez o presidente Donald Trump no tema do uso das Forças Armadas. Parlamentares democratas, com apoio de alguns republicanos, anunciaram que vão forçar uma votação para impedir qualquer ação militar dos EUA contra a Groenlândia ou a Dinamarca, após declarações recentes de Trump que voltaram a levantar essa possibilidade.

A iniciativa é liderada pelo senador Tim Kaine, da Virgínia, que integra os comitês de Relações Exteriores e de Forças Armadas do Senado. Em entrevista ao programa Face The Nation, da emissora CBS, Kaine foi duro ao comentar as falas do presidente.

“Forçaremos uma votação no Senado para que não haja ação militar dos EUA na Groenlândia ou na Dinamarca, se precisarmos fazê-lo. Vamos obter um apoio bipartidário esmagador de que este presidente fez papel de ridículo pelo simples fato de sugerir isso”, afirmou o senador.

Kaine disse que as declarações de Trump precisam ser levadas “a sério e literalmente”, especialmente após o presidente afirmar, na sexta-feira, que havia decidido “fazer algo” em relação à Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, país membro da OTAN. Para os senadores, qualquer ameaça militar contra um aliado representaria uma crise diplomática sem precedentes dentro da aliança.

A reação do Congresso ocorre poucos dias depois de uma vitória legislativa contra a Casa Branca. Na quinta-feira, o Senado aprovou uma resolução que proíbe novas ações militares do governo Trump na Venezuela sem autorização do Congresso, utilizando os mecanismos do War Powers Act (Lei dos Poderes de Guerra).

Essa medida foi articulada por Tim Kaine em parceria com o senador republicano Rand Paul e contou com o apoio de cinco senadores republicanos, além de todos os democratas. A resolução foi apresentada como resposta direta à recente intervenção militar dos EUA na Venezuela, que ocorreu sem aval prévio do Legislativo.

Segundo Kaine, o objetivo das votações não é apenas reagir a episódios específicos, mas reafirmar o papel constitucional do Congresso na decisão sobre o uso da força militar. A Constituição dos EUA atribui ao Legislativo a prerrogativa de autorizar guerras, enquanto o presidente atua como comandante em chefe das Forças Armadas.

Embora Trump ainda possa vetar as resoluções, o movimento no Senado expõe um desgaste político crescente e uma resistência cada vez maior, inclusive dentro do Partido Republicano, a decisões unilaterais do presidente em política externa e segurança internacional.

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