por Redação do Interior
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou seis policiais militares pelo crime de tortura com óbito no caso que envolve a morte de Rogério Almir dos Santos Silva, de 32 anos. O crime ocorreu em 9 de julho de 2025, durante uma ação da Polícia Militar em Santana do Ipanema, no Sertão alagoano.
De acordo com a denúncia, a abordagem teve como objetivo obter informações sobre o tráfico de drogas na região. Durante a ação, os policiais ingressaram em uma residência onde, segundo o MPAL, Rogério foi submetido a agressões físicas graves, que teriam resultado em sua morte.
No imóvel, foram apreendidas 200 pedras de crack e uma nota de vinte reais. Ainda assim, o Ministério Público sustenta que não houve confronto armado nem qualquer situação que justificasse o uso extremo da força, apontando que a atuação policial extrapolou os limites legais.
Laudos periciais desmontam versão inicial
Em um primeiro momento, os policiais alegaram que Rogério teria passado mal e sofrido uma queda durante uma tentativa de fuga. Essa versão foi descartada no curso das investigações. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi asfixia por aspiração de sangue, provocada por traumas contundentes no pescoço e no tórax, compatíveis com espancamento.
A perícia também identificou hematomas, escoriações e hemorragias internas, além de manchas de sangue humano no interior da residência, que apresentava sinais de desordem. Para o MPAL, os elementos técnicos mostram que Rogério sofreu agressões enquanto estava sob custódia dos agentes.
Outras vítimas relataram agressões
Além de Rogério, outras duas pessoas relataram ter sido agredidas durante a mesma ação policial, ocorrida em 9 de julho de 2025. Os depoimentos foram considerados relevantes para a caracterização do crime de tortura.
Por outro lado, dois policiais militares que atuavam como motoristas das viaturas não foram denunciados, já que não ingressaram no imóvel e não há indícios de participação nos atos de violência.
O MPAL também esclareceu que um homem identificado como Edson Silva não foi incluído como vítima, diante da ausência de provas suficientes que confirmassem agressões contra ele durante a operação.
Policiais denunciados e próximos passos
Foram denunciados Ulisses de Souza Freire de Lima, Lucas Cruz de Andrade, José Jeferson Pereira, Pablo Victor de Oliveira Souza, Renan Vitor da Silva e John Felipe Rocha. Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento dos militares das atividades operacionais, citando risco à ordem pública e à integridade das testemunhas.
O crime de tortura com resultado de morte é classificado como hediondo, com pena que pode chegar a 30 anos de prisão, além da perda do cargo público, em caso de condenação.
Agora, caberá ao Judiciário decidir sobre o recebimento da denúncia e as medidas cautelares solicitadas pelo MPAL. Se a acusação for aceita, os policiais se tornarão réus em ação penal.
