Estoque de sangue em Alagoas atinge nível crítico e Hemoal faz apelo urgente por doações

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por Redação do Interior

O Hemocentro de Alagoas (Hemoal) enfrenta uma das situações mais delicadas dos últimos meses. Nesta sexta-feira (9), o estoque disponível era de apenas 82 bolsas de sangue, número que corresponde a 27% do mínimo necessário, estimado em 300 bolsas, para garantir o atendimento regular às maternidades e hospitais da rede pública estadual.

O cenário preocupa ainda mais diante da proximidade do período de férias e do pré-carnaval, quando historicamente há aumento no número de acidentes, emergências hospitalares e, consequentemente, na demanda por transfusões sanguíneas. Apesar disso, a adesão de doadores segue abaixo do esperado, colocando em risco procedimentos médicos e o atendimento a pacientes em estado grave.

Atualmente, o Hemoal precisa equilibrar o fornecimento de sangue entre cirurgias eletivas, tratamentos contínuos de pacientes com doenças hematológicas, como a leucemia, e, principalmente, as ocorrências de emergência, que consomem cerca de 75% de todo o sangue coletado. Essas transfusões são direcionadas, sobretudo, ao Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e ao Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca.

A diretora do Hemoal, a médica hematologista Verônica Guedes, alerta para os riscos da escassez. Segundo ela, a transfusão é decisiva para salvar vítimas de hemorragias graves.

“Sem o sangue, o paciente pode evoluir para um choque hipovolêmico, quando o coração não consegue bombear o volume necessário para os órgãos vitais, o que pode levar à falência múltipla de órgãos e à morte”, explica.

Baixa adesão e responsabilidade coletiva

Embora a necessidade seja recorrente, a queda no número de doações expõe um problema estrutural: a dependência de campanhas emergenciais e a falta de uma cultura permanente de doação. Especialistas ressaltam que o sangue não pode ser fabricado e possui prazo de validade limitado, o que exige reposição contínua.

O Ministério da Saúde estabelece critérios claros para a doação. Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, com peso mínimo de 50 quilos, que estejam em boas condições de saúde e apresentem documento oficial com foto. Doenças como Aids, sífilis, doença de Chagas e hepatite após os 11 anos impedem a doação. Também não podem doar pessoas com sintomas de gripe ou Covid-19, nem quem fez tatuagem, piercing, maquiagem definitiva ou micropigmentação há menos de um ano. É exigido ainda descanso mínimo de seis horas antes da doação e abstinência de álcool nas 24 horas anteriores.

Onde doar em Alagoas

Em Maceió, as doações podem ser feitas nas unidades do Trapiche e da Via Expressa, de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h. A Unidade Farol, localizada no Hospital Veredas, funciona às terças-feiras, das 7h às 17h.

No interior do estado, o atendimento ocorre em Arapiraca, na Unidade Eldorado, situada na rua Marechal Floriano Peixoto, próxima à Escola Alternativa. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e aos sábados, das 7h às 17h.

Diante do quadro crítico, o Hemoal informa que cada doação pode salvar até quatro vidas e faz um apelo para que a população encare o gesto não como uma ação pontual, mas como um compromisso contínuo com a saúde pública e com a preservação de vidas em Alagoas.

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