IPCA fecha 2025 em 4,26%, entra na meta e consolida um dos menores ciclos inflacionários do Plano Real

Compartilhe

por Redação do Interior

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, registrado no terceiro ano do governo Lula 3 (PT), ficou abaixo do teto da meta de inflação, de 4,5%, perseguida pelo Banco Central.

Trata-se do menor índice para um ano fechado desde 2018, quando o IPCA marcou 3,75%, ainda no governo Michel Temer (MDB). O desempenho também posiciona 2025 como o quinto menor resultado anual desde o início do Plano Real, em 1994. Taxas inferiores à atual só foram observadas em 1998 (1,65%), 2006 (3,14%), 2017 (2,95%) e 2018 (3,75%).

O dado veio exatamente em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg estimavam inflação de 4,26% para o ano, o que reforça a leitura de previsibilidade e menor volatilidade no cenário macroeconômico.

Do ponto de vista político, o número fortalece o discurso do Palácio do Planalto sobre a condução da política econômica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou publicamente que, um ano antes, o mercado projetava inflação próxima de 5%, fora da meta, cenário que não se confirmou. Para o governo, o resultado é apresentado como evidência de crescimento com controle de preços e preservação do poder de compra.

Em termos estruturais, o IPCA de 2025 reforça uma tendência relevante: a possibilidade de o atual mandato registrar o menor ciclo inflacionário da história recente. Segundo cálculo do economista André Braz, do FGV Ibre, considerando o resultado de 2025 e uma projeção de inflação próxima de 4% em 2026, o IPCA acumulado nos quatro anos do governo Lula 3 pode chegar a 18,92%.

Caso a estimativa se confirme, será o menor índice acumulado em um mandato presidencial desde o Plano Real. Até agora, o melhor desempenho havia ocorrido no segundo governo Lula (2007–2010), quando a inflação acumulada foi de 22,21%.

Apesar do resultado positivo no agregado, a composição da inflação revela contrastes importantes. A desaceleração foi fortemente puxada pelo grupo Alimentação e Bebidas, especialmente pela alimentação no domicílio, enquanto itens como energia elétrica, habitação, saúde e educação mantiveram pressão significativa sobre o orçamento das famílias.

Assim, o IPCA de 2025 combina dois sinais claros: sucesso no cumprimento da meta inflacionária e redução do risco macroeconômico, por um lado; e, por outro, a persistência de desafios estruturais ligados a preços administrados e serviços essenciais, que seguem como foco de atenção para a política econômica nos próximos anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *