por Redação do Interior
A Operação Mãos que Protegem, deflagrada pela 9ª Delegacia Regional de Polícia de Viçosa, revela um retrato duro e recorrente da violência sexual contra crianças no interior do país: crimes de extrema gravidade, praticados em grupo, que só vêm à tona após a intervenção de órgãos de proteção, quando o dano já está consumado. O caso envolve uma criança de 11 anos, vítima de estupro coletivo ocorrido em setembro de 2025. As investigações apontam como autores três jovens entre 18 e 21 anos, além de dois adolescentes infratores.
A atuação da Polícia Civil, iniciada após comunicação do Conselho Tutelar, seguiu os trâmites legais, com a instauração de inquérito, oitiva da vítima, de familiares e testemunhas, além da realização de exame de corpo de delito. As provas reunidas embasaram a decretação de prisões preventivas contra os adultos envolvidos e medidas socioeducativas em relação aos adolescentes infratores, posteriormente mantidas pela Justiça após audiências de custódia.
O caso, no entanto, também chama atenção para a complexidade do enfrentamento da violência sexual contra crianças, que exige não apenas repressão penal, mas a atuação integrada de diferentes órgãos de proteção. A participação do Conselho Tutelar foi decisiva para que a denúncia fosse formalizada e investigada, reforçando a importância dessas instituições no acompanhamento de situações de risco.
Com o encaminhamento dos adultos ao sistema prisional e dos adolescentes ao Centro de Internação Provisória, o processo avança dentro do que prevê a legislação. Paralelamente, especialistas apontam que o fortalecimento de políticas públicas de prevenção, acolhimento e acompanhamento das vítimas é fundamental para reduzir a incidência desse tipo de crime.
A operação evidencia a relevância da atuação coordenada entre polícia, sistema de Justiça e órgãos de proteção social, destacando que o enfrentamento da violência sexual infantil passa tanto pela responsabilização dos autores quanto pela ampliação de estratégias preventivas e de cuidado às vítimas.
Enfim, a prisão dos adultos e a internação provisória dos adolescentes atendem ao rito legal, mas não resolvem o problema estrutural. Sem políticas públicas permanentes de prevenção, educação e proteção, casos como este tendem a se repetir, alimentando o ciclo de violência.
