por Redação do Interior
Pessoas que utilizam medicamentos injetáveis para emagrecimento, como os conhecidos agonistas do GLP-1, precisam estar cientes do risco elevado de recuperação rápida de peso após o fim do tratamento. O alerta é da pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, uma das autoras de estudos recentes sobre o tema.
Segundo Jebb, os resultados disponíveis até agora indicam que, embora essas injeções promovam uma perda de peso maior do que dietas tradicionais, a interrupção do uso costuma levar a um ganho de peso significativamente mais acelerado. Ela ressalta, no entanto, que as conclusões se baseiam em ensaios clínicos, e não em situações da vida real, o que reforça a necessidade de mais estudos sobre os efeitos de longo prazo dessas medicações.
Pesquisas mostram que pessoas que emagrecem apenas com dieta tendem a perder menos peso do que aquelas que utilizam as injeções, mas a recuperação ocorre de forma mais lenta — em média, 0,1 kg por mês, embora haja variações individuais.
Sensação de fome intensa e risco de recaída
Relatos de pacientes que tentaram interromper o uso das canetas descrevem a experiência como abrupta. Alguns afirmam sentir como se um “interruptor” fosse ligado, provocando fome intensa e descontrole alimentar. Uma usuária relatou que, ao parar o tratamento, teve a sensação de que “algo se abriu na mente” e passou a ter impulsos constantes para comer.
Para o nutricionista Adam Collins, da Universidade de Surrey, esse efeito pode ser explicado pelo modo de ação dos medicamentos. As injeções imitam o hormônio GLP-1, responsável por regular a fome e a saciedade. Segundo ele, a indicação artificial de níveis elevados desse hormônio por longos períodos pode levar o organismo a reduzir a produção natural de GLP-1 e também a se tornar menos sensível aos seus efeitos.
“Isso não é um problema enquanto a pessoa está usando o medicamento, mas, quando esse reforço é retirado, o apetite deixa de ser controlado e o risco de comer em excesso aumenta consideravelmente”, explica Collins.
Para ele, a interrupção abrupta do tratamento é especialmente difícil quando não há mudanças duradouras nos hábitos alimentares e comportamentais.
Uso restrito no sistema público e alto custo
No Reino Unido, o Serviço Nacional de Saúde (NHS) recomenda essas injeções apenas para pessoas com excesso de peso associado a riscos de saúde relacionados à obesidade — e não para quem busca apenas emagrecer alguns quilos.
Estimativas indicam que cerca de 1,6 milhão de adultos no Reino Unido usaram essas injeções no último ano, a maioria por meio de prescrições privadas, fora do sistema público. Além disso, 3,3 milhões de pessoas afirmaram ter interesse em utilizar os medicamentos no próximo ano.
Dados da entidade Cancer Research UK, com base em pesquisas nacionais realizadas no primeiro trimestre de 2025, apontam que uma em cada dez pessoas adultas no país já usou ou deseja usar as chamadas “injeções para emagrecer”. O uso é duas vezes mais comum entre mulheres e mais frequente entre pessoas na faixa etária dos 40 aos 50 anos.
Especialistas reforçam que, apesar da eficácia das canetas para a perda de peso, a obesidade é uma condição crônica e o sucesso a longo prazo depende da combinação entre tratamento médico, alimentação equilibrada e mudanças sustentáveis no estilo de vida.
