A poeta desta quinta é Georgette Mendonça

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do Interior

Às quintas-feiras, a poesia em Alagoas costuma ganhar rosto, memória e permanência. E a poeta desta quinta é Georgette Mendonça — nome que carrega, por si só, uma trajetória intelectual rara, profunda e, por vezes, injustamente silenciada.

Pouca gente no estado percorreu tantos caminhos do saber com a mesma firmeza e sensibilidade. Nascida no Engenho Timbó, em Atalaia, Georgette Silva de Oliveira Mendonça fez da palavra seu território de existência. Foi professora antes de tudo, daquelas que ensinam com rigor e afeto; foi advogada, formada em Direito em 1945, com nota máxima em todas as disciplinas, distinção que lhe rendeu o prêmio Clóvis Beviláqua, concedido pelo Ministério da Educação. Mas foi, sobretudo, escritora e poeta — alguém que escolheu a linguagem como forma de permanência no mundo.

Autora de mais de quarenta livros, Georgette construiu uma obra vasta, marcada pela densidade intelectual e pela delicadeza lírica. Sua escrita atravessa o tempo sem perder vigor, dialoga com a terra, com a memória e com a condição humana, sempre sustentada por um profundo compromisso com a cultura. Participou ativamente do Grupo Literário Alagoano, integrou a União Brasileira de Escritores e foi uma das fundadoras do Núcleo Alagoano da Academia de Letras e Artes do Nordeste, ajudando a erguer espaços de reconhecimento e circulação da literatura produzida no estado.

Ainda assim, sua história também carrega uma ausência que fala alto: Georgette Mendonça jamais foi convidada a integrar a Academia Alagoana de Letras. Uma lacuna que não diminui sua grandeza, mas expõe uma injustiça histórica que a memória cultural de Alagoas ainda precisa enfrentar. Porque há silêncios que não são neutros — e este é um deles.

Mas se as instituições falharam, a obra resistiu. Os livros permanecem, as palavras seguem pulsando, e a poeta continua viva naquilo que é mais essencial: na cultura alagoana, que não se explica sem sua contribuição. Celebrar Georgette Mendonça é, portanto, mais do que reverenciar uma autora; é reafirmar que a literatura, quando verdadeira, sobrevive às omissões e atravessa o tempo como herança.

Nesta quinta, a poesia tem nome, história e raiz. E atende por Georgette Mendonça.

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