Do Interior
Após uma breve pausa, o Jornal do Interior retoma a série Clássicos da Poesia Alagoana, espaço dedicado a revisitar vozes que ajudaram a construir a memória literária do estado e que, muitas vezes, permanecem à margem do cânone mais difundido. Nesta terça-feira, a homenagem é à poeta Rita de Souza Abreu.

Nascida em Maceió, em 1876, e falecida no Rio de Janeiro, em 1956, Rita de Souza Abreu também assinou sua obra com o pseudônimo Rosália Sandoval. Escritora, poeta, tradutora e educadora, fez da palavra um território de afirmação pessoal e intelectual em um tempo marcado por fortes restrições às mulheres que ousavam ocupar o espaço público da literatura.
Sua produção revela sensibilidade, rigor formal e uma atenção delicada ao universo da infância, da memória e dos afetos. Entre suas obras estão Através da Infância (1918), Quando as Roseiras Floriram, Cingo, um poemeto, além de traduções de poetas americanos — trabalho que evidencia sua formação sólida e o diálogo com outras tradições literárias.


Em 1920, Rita deixou Alagoas e mudou-se para o Rio de Janeiro, fixando residência em Vila Isabel, bairro que se tornaria seu último endereço e também cenário de uma vida dedicada à escrita e ao ensino. Longe da terra natal, não rompeu com suas origens: levou consigo o olhar atento, a escuta sensível e a coragem silenciosa de quem escolheu viver da palavra.
Mulher independente em um período de forte conservadorismo social, Rita de Souza Abreu enfrentou limites impostos ao gênero com dignidade e persistência. Sua obra, ainda pouco lida e estudada, permanece como um convite à redescoberta — não apenas de uma autora, mas de uma história literária que precisa ser ampliada, revisitada e reconhecida.

Ao retomar a série Clássicos da Poesia Alagoana, o Jornal do Interior reafirma o compromisso de lançar luz sobre trajetórias que ajudaram a formar o imaginário cultural do estado. Rita de Souza Abreu é uma dessas vozes: firme, sensível e necessária
