Por Redação do Interior
Os principais dados disponíveis em organismos internacionais e nas próprias agências dos Estados Unidos indicam que a cocaína consumida no mercado norte-americano tem origem predominantemente colombiana, contrariando narrativas que atribuem à Venezuela um papel central no abastecimento de drogas aos EUA.
Relatórios do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) mostram que os fluxos marítimos mais relevantes de cocaína com destino aos Estados Unidos partem, em sua maioria, da Colômbia e seguem por rotas consolidadas que passam por Panamá, América Central — incluindo El Salvador — e México, que funciona como principal plataforma de redistribuição antes da entrada no território norte-americano. Esses corredores aparecem como os mais intensos e estruturados no tráfico internacional voltado ao mercado dos EUA.
A Venezuela não figura como eixo central dessas rotas. Nos mapas e análises do UNODC, o país surge, quando mencionado, como ponto secundário de passagem, sobretudo associado a fluxos destinados à Europa, e não como corredor dominante para os Estados Unidos. Esse dado está alinhado a um aspecto estrutural frequentemente destacado por especialistas: a Venezuela não é produtora relevante de folha de coca nem de cocaína refinada, ao contrário da Colômbia, que concentra a maior parte da produção mundial.
Essa leitura é reforçada por relatórios técnicos da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). A partir da análise da assinatura química da cocaína apreendida em território americano, a agência aponta que mais de 80% das amostras examinadas têm perfil compatível com métodos de produção colombianos. A Venezuela não aparece como país de origem nesses levantamentos laboratoriais, considerados uma das ferramentas mais precisas para rastrear a procedência da droga.
Do ponto de vista logístico, a rota do Pacífico — que parte principalmente da Colômbia e do Equador, cruza o oceano em direção à América Central e ao México — é apontada como a mais relevante em volume e regularidade para o abastecimento do mercado norte-americano. Mesmo a rota do Caribe, geograficamente mais próxima da Venezuela, não tem o país como protagonista, sendo dominada por saídas colombianas e conexões centro-americanas.
O conjunto desses dados revela um descompasso entre as evidências empíricas disponíveis e discursos políticos que buscam associar diretamente a Venezuela ao envio de cocaína para os Estados Unidos. Embora relatórios internacionais reconheçam que parte da droga colombiana possa transitar por território venezuelano em rotas específicas, esse papel é limitado e secundário, sem peso estrutural no abastecimento do mercado norte-americano.
Em síntese, ONU e DEA convergem no diagnóstico: a cocaína que chega aos Estados Unidos é majoritariamente de origem colombiana, percorre rotas bem definidas pela América Central e pelo México e não tem a Venezuela como centro produtor nem como principal corredor logístico, segundo os dados oficiais disponíveis.
