Por Redação do Interior
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) contará com um orçamento recorde de R$ 52,6 bilhões em 2026, reforçando o papel do crédito público como instrumento de redução das desigualdades regionais. Desse total, Alagoas terá à disposição R$ 2,82 bilhões, o equivalente a 5,4% dos recursos, mantendo a proporcionalidade adotada nos últimos anos pela Sudene e pelo Banco do Nordeste (BNB).
O valor destinado ao estado representa um crescimento de 11% em relação a 2025 e deve beneficiar, sobretudo, pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte, que concentram a maior fatia do orçamento do fundo. Em todo o Nordeste, 62% dos recursos — R$ 32,6 bilhões — serão direcionados a esses públicos, consolidando uma mudança estrutural na política de crédito regional.
A aprovação do plano de investimentos ocorreu durante a 36ª reunião ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), presidida pelo secretário-executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Valder Ribeiro. Segundo a Sudene, a estratégia segue alinhada às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), com foco na geração de renda, fortalecimento da base produtiva e estímulo ao crescimento sustentável.
Impacto direto em Alagoas
Em Alagoas, os recursos do FNE devem impulsionar principalmente a agricultura familiar, o microcrédito urbano e as micro e pequenas empresas, segmentos que enfrentam maiores dificuldades de acesso ao crédito no mercado tradicional. A expectativa é de que o financiamento contribua para ampliar a atividade econômica no interior do estado, especialmente em municípios do semiárido, onde o fundo tem papel estratégico.
No recorte regional, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) será a principal linha de crédito do FNE em 2026, com R$ 11,69 bilhões, o que corresponde a 22,2% do orçamento total. Já o FNE Rural contará com R$ 7,60 bilhões. Esses recursos tendem a ter impacto direto em estados como Alagoas, onde a agricultura de pequeno porte é essencial para a segurança alimentar e a economia local.
Sustentabilidade e infraestrutura
Além do setor rural, o fundo destina mais de R$ 11 bilhões a linhas voltadas à sustentabilidade e infraestrutura. O FNE Verde receberá R$ 5,06 bilhões, com foco em tecnologias sustentáveis, enquanto o FNE Proinfra contará com R$ 6,28 bilhões para investimentos em energias renováveis e saneamento básico — áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento urbano e ambiental do Nordeste.
Para o empreendedorismo urbano, o FNE Microcrédito Urbano (PNMPO) terá orçamento de R$ 5,25 bilhões, e o FNE Micro e Pequenas Empresas (MPE) contará com R$ 5,06 bilhões.
Fundo mais sustentável
Outro ponto destacado pela Sudene é a melhoria da eficiência financeira do FNE. O fundo passou a depender menos de novos aportes do Tesouro Nacional e mais do retorno de financiamentos anteriores. Desde 2022, enquanto os repasses da União cresceram 69,2%, os reembolsos líquidos aumentaram 144,1%, indicando maior sustentabilidade do modelo.
Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o desafio agora é garantir a execução efetiva do plano. “Temos a missão de acompanhar o plano de ação do FNE para fazer o Nordeste crescer mais, com a perspectiva de melhorar ainda mais no próximo ano”, afirmou.
Com orçamento recorde e foco ampliado nos pequenos negócios e na agricultura familiar, o FNE reforça, em 2026, seu papel como um dos principais instrumentos de financiamento do desenvolvimento econômico e social de Alagoas e de toda a região Nordeste.
