Por Redação do Interior
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta sexta-feira (2) que não pretende retornar ao Brasil nem reassumir o cargo de escrivão da Polícia Federal, mesmo após determinação formal da corporação para que ele volte à atividade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo classificou a medida como mais um capítulo de “perseguição judicial” e disse que “não entregará o cargo de mãos beijadas”.
Segundo ele, a ordem da PF decorre exclusivamente da perda de seu mandato parlamentar, o que automaticamente encerra a licença que o mantinha afastado da função desde 2010, quando ingressou na corporação por concurso público.
“Eu não recebo com surpresa a ordem para retornar ao meu trabalho normal. Sou policial federal concursado desde 2010. Recebo com orgulho mais esse capítulo da perseguição judicial”, afirmou.
Eduardo ironizou o que chamou de “preciosismo” da administração pública, dizendo que a atenção dispensada ao seu caso não seria a mesma dedicada a “verdadeiros traficantes, assassinos ou criminosos do colarinho branco”. Na mesma declaração, atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) e insinuou tratamento desigual em decisões judiciais.
“Sabemos que aqueles que têm bons contatos na Suprema Corte Federal, os amigos dos reis, nada acontece”, disse.
O ex-parlamentar alegou ainda que não tem condições de retornar ao Brasil neste momento, afirmando viver fora do país por temer o que chama de ambiente de exceção institucional.
“Não vivemos uma normalidade democrática. Há um Estado persecutório, abusando do seu poder”, declarou.
Durante o pronunciamento, Eduardo comparou situações envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Fernando Collor, criticando decisões judiciais recentes e fortalecendo a narrativa de seletividade no sistema de Justiça.
Ele também afirmou que a suposta perseguição teria como objetivo atingir direitos funcionais, como aposentadoria, porte de arma e o vínculo com a Polícia Federal.
“Eu sei que querem pegar a minha aposentadoria, meu porte de arma e a minha pistola funcional. Ainda assim, vou lutar para evitar que se atinja o objetivo desses malfeitores”, afirmou.
Ao final do vídeo, Eduardo Bolsonaro disse que decidiu se manifestar publicamente para deixar um “registro histórico” e afirmou acreditar que, no futuro, os responsáveis pelas decisões contra ele serão responsabilizados.
“Um dia essa conta vai chegar. É por isso que faço esse vídeo e falo com a imprensa. Tudo ficará registrado.”
A Polícia Federal ainda não se manifestou.
