Por Redação do Interior
Ao encerrar o ano de 2025 — o primeiro de seu pontificado — o papa Leão XIV fez um alerta contundente à comunidade internacional sobre o rumo do mundo contemporâneo. Durante a celebração do Te Deum, tradicional cerimônia de ação de graças realizada em 31 de dezembro na Basílica de São Pedro, o pontífice advertiu para a existência de “planos de dominação” baseados em estratégias armadas e sustentados por discursos hipócritas.
Sem citar países ou conflitos específicos, o papa adotou um tom claramente político e geopolítico ao criticar projetos que, segundo ele, não buscam a paz nem o bem comum, mas a expansão de poder, controle de territórios e interesses econômicos, muitas vezes camuflados sob justificativas ideológicas, religiosas ou humanitárias.
“O mundo está envolvido por desígnios que prometem segurança e progresso, mas que na prática se sustentam na força das armas e na manipulação das consciências”, afirmou o pontífice, ao contrapor esses projetos ao que chamou de “desígnio de Deus”, baseado na reconciliação, na justiça social e na dignidade humana.
Crítica à normalização da guerra
O discurso reforça uma das marcas iniciais do pontificado de Leão XIV: a crítica à normalização dos conflitos armados e ao uso recorrente da guerra como instrumento legítimo da política internacional. Para o papa, a retórica que apresenta ações militares como inevitáveis ou moralmente justificáveis representa uma grave distorção ética.
A fala também incluiu uma advertência contra a instrumentalização da religião e de valores morais para sustentar projetos de poder. Segundo ele, discursos que evocam fé, identidade ou segurança nacional não podem servir de cobertura para violência, exclusão e dominação.
Continuidade de uma linha pastoral
O pronunciamento dialoga com mensagens recentes do Vaticano sobre a construção de uma “paz desarmada e desarmante”, conceito que vem sendo reiterado por Leão XIV como alternativa à lógica de confrontação entre Estados e blocos internacionais. Na avaliação do pontífice, a escalada armamentista e a retórica belicista aprofundam desigualdades, ampliam crises humanitárias e afastam soluções duradouras para os conflitos.
Impacto político e simbólico
Embora inserido em um contexto religioso, o discurso tem forte impacto político e simbólico. Analistas avaliam que o papa buscou se posicionar como uma voz crítica diante do cenário internacional marcado por guerras prolongadas, disputas territoriais e tensões entre grandes potências.
Ao encerrar o ano, Leão XIV deixou claro que pretende manter o Vaticano como um espaço de denúncia moral contra a violência institucionalizada e de defesa de projetos globais baseados no diálogo, na cooperação e na paz.
