Por Redação do Interior
O naufrágio de uma jangada no mar da Pajuçara, em Maceió, no domingo (28), chama atenção não apenas pelo local — uma das áreas mais movimentadas da orla —, mas pelo que o episódio indica sobre os riscos pontuais do turismo náutico, especialmente em períodos de alta temporada.
A embarcação virou a poucos metros da faixa de areia. As pessoas que estavam a bordo foram resgatadas por outros jangadeiros que atuavam nas proximidades, antes da chegada do Corpo de Bombeiros. Não houve registro de feridos graves. Ainda assim, o acidente passou a integrar o conjunto de ocorrências recentes analisadas pelas autoridades marítimas.
Um episódio que não é isolado
O naufrágio da Pajuçara ocorre em um contexto mais amplo. Em menos de um ano, outros acidentes envolvendo embarcações turísticas foram registrados em Alagoas, inclusive em áreas consolidadas do turismo.
Em dezembro de 2024, uma jangada naufragou durante o passeio noturno conhecido como “Banho de Lua”, na Ponta Verde. Embora todas as pessoas tenham sido resgatadas, uma mulher sofreu afogamento grave.
As investigações conduzidas pela Marinha do Brasil e pela Polícia Civil apontaram irregularidades na condução da embarcação, incluindo questionamentos sobre a habilitação do piloto e o fato de ele ter deixado o local sem prestar socorro, o que resultou na abertura de inquérito criminal e em apurações administrativas.
No mesmo período, um catamarã turístico naufragou em Maragogi, durante passeio às piscinas naturais, resultando na morte de um turista de 76 anos. O acidente teve repercussão nacional e colocou em evidência a segurança das operações náuticas na região.
O Inquérito Administrativo da Marinha concluiu que não houve falha estrutural grave na embarcação nem condições climáticas extremas, mas identificou falhas operacionais, especialmente no cumprimento de protocolos de segurança, como procedimentos de embarque, organização dos passageiros e uso adequado de equipamentos de proteção. O caso também foi encaminhado à Polícia Civil, que apurou responsabilidades nas esferas administrativa e criminal.
O que o acidente da Pajuçara revela
Apesar da repercussão, os episódios precisam ser analisados com cautela. O número de naufrágios é pequeno diante do volume diário de embarcações que operam no litoral alagoano, o que indica que a fiscalização preventiva existe e é eficaz na maior parte dos casos. Jangadas, catamarãs e lanchas realizam centenas de passeios diariamente, sobretudo durante o verão, sem registro de ocorrências.
O que os acidentes recentes indicam, portanto, não é a ausência de controle, mas sim a existência de limites operacionais da fiscalização, especialmente em períodos de pico, quando a demanda cresce rapidamente. Nessas situações, brechas pontuais podem surgir — seja em passeios noturnos, em operações mais informais ou em embarcações menores.
Investigações buscam causas e responsabilidades
Como nos outros casos, o naufrágio da Pajuçara será analisado pela Capitania dos Portos de Alagoas, vinculada à Marinha do Brasil, por meio de Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação. O objetivo é identificar as causas do acidente, as condições da embarcação e o cumprimento das normas de segurança.
Quando há indícios de irregularidades ou crimes, como omissão de socorro ou condução sem habilitação adequada, a Polícia Civil também atua. As conclusões podem resultar em sanções administrativas, além de responsabilização civil e criminal.
Um alerta sem alarmismo
O naufrágio da jangada na Pajuçara não aponta para um colapso do turismo náutico em Alagoas, mas funciona como um alerta pontual. Ele mostra que, mesmo em um sistema que opera majoritariamente dentro da normalidade, o risco nunca é zero — sobretudo quando a atividade atinge seu pico.
Mais do que números, o acidente indica a importância de manter vigilância constante, reforçar a fiscalização nos períodos mais críticos e garantir que exceções continuem sendo exceções em um dos principais cartões-postais do estado.
