Por Redação do Interior com Ana Vidal Egeu do El País
A nicaraguense Nora Sándigo, conhecida como “a grande mãe”, tornou-se um dos principais pontos de apoio para famílias migrantes nos Estados Unidos ao assumir a tutela legal de crianças cujos pais foram deportados ou vivem sob risco iminente de detenção. Desde 2006, quando fundou a Fundação Nora Sándigo para Crianças, ela já foi responsável legal por 2.373 menores, número que se renova à medida que essas crianças atingem a maioridade.
De acordo com reportagem do jornal El País, o trabalho da fundação ganhou ainda mais relevância com o endurecimento das ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) após o retorno de Donald Trump à Presidência. O medo de prisões em massa fez disparar os pedidos de ajuda: apenas nos últimos 18 meses, Sándigo tornou-se tutora legal de 472 novas crianças, elevando para cerca de 700 o total de menores atualmente sob sua proteção.
A sede da fundação funciona em uma casa de nove cômodos em Kendall, na Flórida, que também abriga um centro de cuidados para idosos. A renda dessa atividade é revertida para o atendimento das crianças. Sem estrutura formal ou horários definidos, Sándigo atua de forma contínua, oferecendo alimentos, material escolar e apoio jurídico para evitar deportações e tentar manter famílias unidas.
A reportagem ressalta que muitas dessas crianças são cidadãs americanas e correm o risco de se tornarem “órfãs administrativas”, mesmo com os pais vivos. Dados citados pelo El País indicam que mais de 65 mil pessoas estavam sob custódia do ICE no fim de novembro, sendo 73% sem antecedentes criminais, em contraste com o discurso oficial de que a repressão migratória tem como alvo apenas criminosos perigosos.
Sándigo também alerta para os efeitos da narrativa do governo sobre a sociedade. Segundo ela, o endurecimento do discurso oficial tem reduzido a compaixão e a disposição para ajudar. “No ano passado, recebíamos muito mais apoio da comunidade. Bastava publicar algo no Facebook e as doações chegavam. Agora, a dinâmica mudou”, afirma. Em alguns momentos, conta, famílias em situação de risco ligam pedindo comida — e ela não tem nada para oferecer.
Mesmo diante das dificuldades, Sándigo segue atuando movida por convicção religiosa e humanitária. “Minha vida é de serviço”, resume.
Doações podem ser feitas pelo site da fundação
