Por Redação do Interior
Um estudo internacional coordenado pelo InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, em parceria com a Fiocruz e a FGV, projeta que o Brasil poderá registrar cerca de 1,8 milhão de casos de dengue entre outubro de 2025 e outubro de 2026. Embora o número fique bem abaixo do recorde histórico de 2024, quando o país ultrapassou 6 milhões de casos prováveis, os pesquisadores alertam que o cenário segue epidêmico e exige atenção contínua das autoridades de saúde.
A projeção chama atenção pela forte concentração regional: mais da metade dos casos estimados deve ocorrer em São Paulo, reflexo de fatores como densidade populacional, histórico recente de grandes surtos e condições climáticas favoráveis à proliferação do Aedes aegypti. Outros estados aparecem no radar dos modelos, mas, até o momento, não há detalhamento público das projeções por unidade da federação, incluindo Alagoas.
Alagoas: queda em 2025, mas vigilância segue necessária
Os dados mais recentes disponíveis indicam que Alagoas viveu um ano de retração nos casos de dengue em 2025, em comparação com o pico de 2024. Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e boletins epidemiológicos, o estado registrou pouco mais de 6 mil casos prováveis de dengue até setembro de 2025. Já os boletins semanais consolidados até meados de novembro (46ª semana epidemiológica) confirmam a tendência de queda, com redução próxima de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O recuo é significativo e acompanha, em parte, o movimento observado em outras regiões do país após o surto sem precedentes de 2024. Especialistas dizem que a intensificação de ações de controle do vetor e oscilações climáticas contribuíram para esse arrefecimento.
Projeção não é garantia de tranquilidade
Apesar do alívio momentâneo nos números locais, a projeção nacional para 2026 funciona como um alerta estratégico, e não como previsão confortável. Os próprios pesquisadores do InfoDengue ressaltam que se trata de um cenário probabilístico, sensível a variáveis como regime de chuvas, temperaturas elevadas, circulação de novos sorotipos do vírus e capacidade de resposta do sistema de saúde.
No caso de Alagoas e do Nordeste, o risco é conhecido: mudanças rápidas no clima e falhas no controle do mosquito podem reverter tendências de queda em poucos meses. Além disso, a interiorização da dengue — com avanço em municípios historicamente menos atingidos — dificulta a resposta e amplia o desafio da vigilância epidemiológica.
Vacina ajuda, mas não resolve sozinha
A expectativa para 2026 inclui o início da aplicação mais ampla da vacina de dose única contra a dengue, aprovada pela Anvisa, o que pode reduzir casos graves e internações. Ainda assim, especialistas são unânimes em afirmar que a vacinação não substitui as ações básicas de prevenção, como eliminação de criadouros, monitoramento constante e resposta rápida a surtos localizados.
Em síntese, Alagoas chega ao fim de 2025 com números melhores do que no ano anterior, mas o cenário projetado para 2026 mostra que a dengue permanece como um problema estrutural de saúde pública no Brasil. A queda atual não autoriza relaxamento: ela exige planejamento, investimento contínuo e políticas permanentes para evitar que o próximo ciclo volte a surpreender estados e municípios.
