Por Redação do Interior
O governo federal publicou decreto que oficializa o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026, o que representa um aumento de quase 7% em relação ao piso atual de R$ 1.518. O novo valor passa a servir de referência para salários e benefícios pagos no início do ano.
Apesar do aumento acima da inflação, o valor ainda está distante do que seria necessário para garantir condições dignas de vida a uma família brasileira. De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal para manter uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro deste ano — o equivalente a 4,66 vezes o piso nacional vigente.
O salário mínimo tem impacto direto na vida de 59,9 milhões de pessoas no Brasil, entre trabalhadores formais, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais. O valor serve como referência para remunerações, benefícios previdenciários e assistenciais, o que amplia seu peso na economia e no orçamento das famílias.
A Constituição Federal determina que o salário mínimo deve ser reajustado ao menos pela inflação, de forma a preservar o chamado poder de compra do trabalhador. Nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, essa regra foi seguida de forma estrita: os reajustes repuseram apenas a inflação, sem ganho real.
Já no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o salário mínimo voltou a ter aumento acima da inflação, com base na política de valorização retomada pelo governo. O cálculo considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, somada ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitado a 2,5%, conforme as regras do novo arcabouço fiscal.
Se fosse aplicado apenas o reajuste constitucional mínimo — ou seja, a correção pela inflação — o salário mínimo passaria dos atuais R$ 1.518 para cerca de R$ 1.582. Com a inclusão do ganho real permitido, o valor foi elevado para R$ 1.621, oficializado agora por decreto.
Mesmo com o aumento real, especialistas e entidades sindicais destacam que o piso nacional ainda está muito aquém do necessário para garantir moradia, alimentação, saúde, educação, transporte e lazer, como prevê a Constituição.
