IPCA-15 fecha o ano dentro da meta e governo Lula mostra compromisso com o controle da inflação

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Por Redação do Interior

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (23) pelo IBGE. O resultado representa uma aceleração de 0,05 ponto percentual em relação a novembro, quando o índice havia sido de 0,20%.

Com isso, o IPCA-15 encerra 2025 com variação acumulada de 4,41%, desempenho que mantém a inflação dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central definida pelo CMN é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que permite uma inflação entre 1,5% e 4,5%. O resultado, portanto, ficou no limite superior, mas sem rompimento do objetivo formal da política econômica.

O fechamento dentro da meta tem peso político e institucional relevante para o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo após um ano marcado por pressões inflacionárias, debates sobre juros elevados e questionamentos sobre a coordenação entre política fiscal e monetária. Ainda que a inflação siga pressionada em alguns segmentos, o dado final evita o descumprimento do alvo e fortalece o discurso de compromisso do governo com a estabilidade macroeconômica.

A composição da inflação em dezembro

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em dezembro. O principal impacto veio de Transportes, que subiu 0,69% e contribuiu com 0,14 ponto percentual para o índice geral.

Dentro do grupo, o maior impacto individual foi das passagens aéreas, que dispararam 12,71%, respondendo sozinhas por 0,09 p.p. do IPCA-15 do mês. O transporte por aplicativo também teve aumento expressivo, de 9,00%, com impacto de 0,02 p.p.. Os combustíveis voltaram a subir (0,26%), após queda em novembro, puxados principalmente pelo etanol (1,70%) e pela gasolina (0,11%), enquanto o óleo diesel (-0,38%) e o gás veicular (-0,26%) recuaram.

Ainda em Transportes, houve queda nos preços do ônibus urbano (-0,69%), influenciada por políticas de gratuidade aos domingos e feriados em capitais como Belém e Brasília, além de redução tarifária em Curitiba. O metrô (-0,62%), o trem (-0,11%) e a integração transporte público (-0,16%) também recuaram, refletindo medidas pontuais, como a liberação do pagamento de passagens nos dias de aplicação do Enem.

O grupo Vestuário também apresentou alta relevante (0,69%), com aumentos disseminados em roupas infantis (1,05%), femininas (0,98%) e masculinas (0,70%).

Desaceleração em despesas pessoais e queda em artigos de residência

O grupo Despesas pessoais desacelerou de 0,85% em novembro para 0,46% em dezembro. A hospedagem, que havia subido fortemente no mês anterior, caiu 1,18%, ajudando a conter o índice. Ainda assim, serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,25%), empregado doméstico (0,48%) e pacote turístico (2,47%) continuaram pressionando os preços.

Já Artigos de residência registraram queda de 0,64%, marcando a quarta redução consecutiva. O recuo foi puxado por eletrodomésticos e equipamentos (-1,41%) e por itens de tv, som e informática (-0,93%), sinalizando menor pressão dos bens duráveis sobre a inflação.

Habitação, energia e alimentação

O grupo Habitação teve alta moderada de 0,17%, influenciado pelo aumento do aluguel residencial (0,33%), da taxa de água e esgoto (0,66%) — com reajustes em capitais como Fortaleza e Rio de Janeiro — e do gás encanado (0,28%), especialmente em São Paulo. Por outro lado, a energia elétrica residencial caiu 0,22%, refletindo a mudança da bandeira tarifária vermelha, em vigor em novembro, para a bandeira amarela em dezembro.

Em Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, a variação foi de 0,13%. A alimentação no domicílio caiu 0,08%, acumulando o sétimo mês consecutivo de queda, com destaque para os recuos do tomate (-14,53%), do leite longa vida (-5,37%) e do arroz (-2,37%). Em contrapartida, carnes (1,54%) e frutas (1,46%) registraram altas. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,65%, pressionada pelo aumento do lanche (0,99%) e da refeição (0,62%).

Desigualdade regional e IPCA-E

Regionalmente, dez das onze áreas pesquisadas tiveram alta em dezembro. A maior variação ocorreu em Porto Alegre (0,50%), impulsionada pelas passagens aéreas e pela energia elétrica. O menor resultado foi registrado em Belém (-0,35%), com quedas expressivas em hospedagem (-53,72%) e itens de higiene pessoal (-1,60%).

O IPCA-E, que corresponde ao IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 0,63% no período de outubro a dezembro, bem abaixo dos 1,51% registrados no mesmo trimestre de 2024, reforçando a leitura de desaceleração no fim do ano.

Meta cumprida, mas com alerta

Embora o IPCA-15 tenha fechado 2025 dentro da meta do CMN, o resultado evidencia uma inflação ainda resistente e concentrada em serviços, especialmente transporte e serviços pessoais. O cumprimento do alvo evita um desgaste institucional para o governo Lula porque demonstra compromisso com o controle inflacionário e responsabilidade econômica, mas não elimina os desafios para 2026, quando o comportamento dos preços seguirá no centro das decisões do Banco Central e do debate político sobre juros, crescimento e poder de compra da população.

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