EXTRADIÇÃO: Justiça italiana adia pela terceira vez julgamento de Carla Zambelli

Compartilhe

Por Redação do Interior

A Justiça italiana adiou pela terceira vez o julgamento do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), ampliando um impasse jurídico que se arrasta desde o fim de novembro e evidencia a estratégia da defesa de alongar a tramitação do caso. Inicialmente marcada para o fim do mês passado, a análise do pedido brasileiro foi novamente postergada pela Corte de Apelação de Roma, que remarcou a audiência para o dia 20 de janeiro.

O primeiro adiamento ocorreu em razão da adesão dos advogados de Zambelli a uma greve da categoria na Itália. O segundo veio após o próprio tribunal solicitar mais tempo para decidir se novos documentos apresentados pela defesa poderiam ser aceitos como provas no processo. Agora, o novo adiamento foi motivado por um pedido da defesa para analisar a documentação enviada pelo governo brasileiro, que detalha as condições do cumprimento da pena caso a extradição seja autorizada.

Apesar das sucessivas postergações, o Ministério Público italiano já se manifestou de forma favorável à extradição, o que fortalece o pedido feito pelo Estado brasileiro após a condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, a defesa segue apostando em recursos e questionamentos procedimentais, além de sustentar a tese de perseguição política, argumento que tem sido usado de forma recorrente por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em processos judiciais no exterior.

Além do adiamento do julgamento, a defesa de Zambelli apresentou nesta quinta-feira um novo requerimento: a conversão da prisão em regime fechado para prisão domiciliar, em endereço na Itália, com o objetivo de permitir que a ex-deputada passe o período de Natal fora da unidade prisional. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a Corte de Apelação vai analisar o pedido e deve divulgar uma decisão nos próximos dias.

Do ponto de vista político e institucional, o caso de Carla Zambelli segue como um dos principais testes da cooperação jurídica entre Brasil e Itália. A eventual autorização da extradição teria peso simbólico relevante, ao sinalizar que a dupla cidadania não constitui salvo-conduto contra condenações impostas pelo STF. Já um novo prolongamento do processo tende a alimentar críticas sobre a morosidade e o uso estratégico de brechas legais para postergar decisões de alto impacto político.

A audiência marcada para 20 de janeiro será decisiva, mas não necessariamente definitiva. Mesmo em caso de aval judicial à extradição, ainda caberão recursos e uma etapa administrativa final no âmbito do governo italiano, o que indica que o desfecho do caso pode se estender ao longo de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *