Por Redação do Interior
A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal por Alagoas em 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos, ainda que longe de uma definição. Pesquisa realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro revela Renan Calheiros (MDB) na liderança das intenções de voto, em um cenário marcado por empate técnico com os principais adversários, mas que na prática, o coloca em posição confortável na corrida eleitoral.
No cenário estimulado, quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos entrevistados, Renan aparece com 17,1%, seguido de perto por Arthur Lira (PP), com 16,9%, e Davi Davino Filho (Republicanos), com 16,6%. O levantamento também chama atenção para o alto índice de indecisos (19,8%), além de brancos e nulos (19%), sinalizando que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não se comprometeu com nenhum nome.
Quando considerados apenas os votos válidos, recorte que se aproxima mais do resultado final das urnas, Renan amplia sua vantagem numérica: 28,1%, contra 27,5% de Arthur Lira e 27,1% de Davi Davino Filho. Embora as diferenças permaneçam dentro da margem de erro, Renan lidera em todos os cenários analisados, mostrando sua condição de principal nome da disputa até o momento.
O fator decisivo para a leitura política do levantamento está no fato de que duas vagas estão em jogo. Nesse contexto, a liderança de Renan o coloca em situação mais confortável do que seus concorrentes diretos, já que a tendência histórica é que o candidato mais bem posicionado consiga consolidar uma das cadeiras, enquanto a disputa mais intensa se concentre na definição da segunda vaga.
A pesquisa também revela diferenças regionais importantes.Na Grande Maceió, Davi Davino Filho aparece na liderança, com cerca de 20,2%, beneficiado por sua forte presença eleitoral na capital e entorno. Já Renan Calheiros lidera no Agreste e no Sertão, regiões onde sua trajetória política, redes de apoio consolidadas e histórico de votações expressivas seguem pesando a favor. Nessas áreas, além da liderança de Renan, o levantamento aponta índices elevados de indecisão, indicando espaço para crescimento e consolidação ao longo da campanha.
Arthur Lira, por sua vez, apresenta desempenho mais equilibrado entre as regiões, mas sem liderança isolada em nenhum dos grandes recortes territoriais, o que sugere dependência maior de alianças políticas e da estrutura partidária para avançar na disputa.
Do ponto de vista analítico, os números revelam mais do que um simples empate técnico. Eles indicam um cenário de transição, no qual lideranças tradicionais ainda mantêm força — caso de Renan —, mas enfrentam um eleitorado mais fragmentado, menos fiel. O elevado percentual de indecisos indica que a eleição não está decidida, contudo, quem larga na frente, especialmente em uma disputa com duas vagas, tende a administrar melhor o processo.
Em síntese, a pesquisa mostra que, apesar do equilíbrio estatístico, Renan Calheiros lidera a corrida ao Senado e ocupa hoje uma posição estratégica e confortável, enquanto a batalha deve se concentrar na escolha do segundo senador por Alagoas. A consolidação desse cenário dependerá do avanço da campanha, da formação de alianças e da capacidade de cada candidato de transformar intenção de voto em apoio efetivo até as urnas.
Principais resultados da pesquisa INAPE
Estimulado (quando os nomes são apresentados aos entrevistados):
- Renan Calheiros (MDB): 17,1%
- Arthur Lira (PP): 16,9%
- Davi Davino Filho (Republicanos): 16,6%
- Paulão (PT): 6,6%
- Cícero Fernandes: 2,3%
- Ítalo Bonja: 1,7%
- Indecisos: 19,8%
- Brancos & Nulos: 19%
Votos válidos (excluindo brancos e nulos):
- Renan Calheiros: 28,1%
- Arthur Lira: 27,5%
- Davi Davino Filho: 27,1%
- Paulão: 10,8%
- Cícero Fernandes: 3,8%
- Ítalo Bonja: 2,7%
