Por Redação do Interior
A mais recente pesquisa do Instituto Nacional de Monitoramento e Pesquisa (Inape), realizada entre 8 e 12 de dezembro, indica um empate técnico na disputa pelo governo de Alagoas entre o ex-governador e atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o prefeito de Maceió, JHC (PL). No cenário estimulado, Renan soma 37,9% das intenções de voto, contra 37,1% de JHC. Nos votos válidos, a diferença é mínima: 50,5% a 49,5%, dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais.
Embora os números indiquem equilíbrio, a leitura política do levantamento aponta que a disputa não se dá em condições simétricas. Renan Filho entra no jogo com uma vantagem estrutural relevante, ancorada no apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Paulo Dantas (MDB) e da maioria da Assembleia Legislativa de Alagoas — um conjunto que confere musculatura institucional e capilaridade territorial à sua pré-candidatura.
Capital e interior: dois Alagoas eleitorais
A pesquisa evidencia uma divisão territorial nítida. Em Maceió, JHC domina o cenário com 68,5% das intenções de voto, contra apenas 11,9% de Renan. O desempenho reflete o peso da máquina municipal e a exposição cotidiana do prefeito no maior colégio eleitoral do estado.
No interior, no entanto, o quadro se inverte. Renan lidera com folga no Agreste (49,2% a 24,9%) e no Sertão (62,5% a 15%). Já na mesorregião Leste, que inclui o litoral e a zona da mata, JHC mantém vantagem (46,5% a 28,6%), mas sem repetir a larga dianteira registrada na capital.
Esse contraste revela não apenas preferências regionais, mas o efeito direto da estrutura política estadual. O grupo liderado por Renan Filho mantém controle sobre prefeituras estratégicas, secretarias estaduais e sobre a maioria do Legislativo estadual, o que amplia sua capacidade de mobilização fora da capital.
Peso do Planalto e da máquina estadual
O apoio do presidente Lula adiciona um componente nacional à disputa. Em um estado onde o petista teve desempenho expressivo nas últimas eleições presidenciais, a associação com o Planalto tende a reforçar a imagem de Renan como candidato com acesso direto a recursos federais e capacidade de articulação em Brasília, especialmente em áreas sensíveis como infraestrutura e programas sociais.
Já o alinhamento com o governador Paulo Dantas garante continuidade administrativa e o uso político de uma agenda de governo voltada para obras, investimentos e presença institucional no interior. A adesão majoritária da Assembleia Legislativa completa o tripé de sustentação política, reduzindo riscos de isolamento e ampliando o raio de ação da campanha.
JHC aposta no voto urbano e no discurso de oposição
Do outro lado, JHC aparece como o principal polo de oposição ao grupo que governa Alagoas há mais de uma década. Sua força concentrada em Maceió indica apelo entre o eleitor urbano, jovem e mais crítico ao poder estadual, mas também expõe o desafio de romper a barreira do interior, onde a presença administrativa e política é menor.
