Da Redação
O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), afastou o secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, pelo período de 180 dias, após a deflagração da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que apura suspeitas de desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
A operação investiga contratações diretas firmadas pela Sesau entre 2023 e 2025, que somam quase R$ 100 milhões, grande parte ainda em execução. Segundo a Polícia Federal, valores indevidos foram repassados entre setembro de 2023 e agosto de 2025, incluindo ressarcimentos por procedimentos de fisioterapia pagos em montantes incompatíveis com a capacidade operacional de uma clínica privada.
As investigações apontam a existência de um esquema sofisticado de corrupção e lavagem de dinheiro, com repasses feitos por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos. Parte dos recursos públicos teria sido utilizada para custear gastos pessoais, viagens internacionais e a aquisição de bens de alto valor, com uso de interpostas pessoas para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Entre os bens identificados está uma pousada localizada no município de Porto de Pedras, adquirida em 2023 pelo valor de R$ 5,7 milhões e registrada em nome de terceiros. De acordo com o inquérito, o imóvel teria sido pago por empresários beneficiados pelo esquema criminoso. Outros imóveis e veículos de alto valor também foram alvo de sequestro judicial.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal, com a mobilização de cerca de 170 policiais federais e 26 auditores. Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie, em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo.

Em nota oficial, o Governo do Estado informou que foi oficialmente comunicado sobre a operação e que o governador Paulo Dantas acatou imediatamente a determinação judicial de afastamento do secretário, expedida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Segundo o texto, a medida foi adotada no curso das investigações para assegurar que a apuração ocorra de maneira completa, técnica, independente e sem qualquer tipo de interferência.
A nota também informa que o governador determinou a criação de uma comissão especial, composta pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, pela Controladoria-Geral do Estado e pela Procuradoria-Geral do Estado, com a finalidade de acompanhar e colaborar com os órgãos de investigação, garantindo o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à presunção de inocência.
O Governo de Alagoas reafirmou que não compactua com qualquer tipo de irregularidade, especialmente quando envolve recursos públicos destinados à saúde, e reforçou que a Secretaria de Estado da Saúde segue funcionando normalmente, sem interrupção na prestação dos serviços à população. Segundo a gestão estadual, o atendimento em todas as unidades e programas do Sistema Único de Saúde (SUS) permanece integralmente mantido.
Por fim, o governo destacou que o foco da gestão permanece no cidadão, reafirmando a defesa do SUS, o uso responsável dos recursos públicos e a garantia de atendimento de qualidade, cuidado humanizado, prevenção de doenças e preservação de vidas como prioridades absolutas.
