PGR rejeita delação de Beto Louco que cita Alcolumbre em suposta contrapartida na ANP

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, ao menos por enquanto, a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, investigado em esquemas de fraude, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Na tentativa de colaboração, Beto Louco cita nominalmente o senador Davi Alcolumbre (União-AP) e afirma ter feito pagamentos milionários a pedido do parlamentar, incluindo R$ 2,5 milhões para bancar parte do show de Roberto Carlos no Réveillon de 2024, em Macapá (AP).

Segundo o relato, o pagamento teria sido realizado em duas parcelas, por meio de intermediários, e a contrapartida envolveria interferência política junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). O empresário sustenta que buscava benefícios regulatórios para empresas ligadas a ele, que enfrentavam processos administrativos, risco de sanções e dificuldades para operar no mercado de combustíveis.

De acordo com a delação, os repasses fariam parte de uma sequência maior de valores desembolsados ao longo do tempo, sempre com o objetivo de destravar decisões da ANP e evitar punições que poderiam inviabilizar suas operações empresariais.

A PGR, sob comando do procurador-geral Paulo Gonet, decidiu não homologar a delação neste momento, alegando insuficiência de provas materiais, especialmente por envolver autoridade com foro por prerrogativa de função. O entendimento é de que os elementos apresentados não sustentam, por ora, a abertura de investigação formal contra o senador.

Com isso, a proposta foi devolvida às instâncias inferiores, e os advogados do empresário ainda podem tentar apresentar novos documentos, registros financeiros ou provas complementares para retomar as negociações.

Em nota, Davi Alcolumbre nega qualquer irregularidade, afirma que não recebeu recursos do empresário e que não houve interferência em decisões da ANP. O senador sustenta que as acusações são infundadas.

O caso está inserido em um contexto mais amplo de investigações da Polícia Federal sobre organizações criminosas que atuam no setor de combustíveis, com suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com o crime organizado.

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