Da Redação
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram com críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o governo norte-americano revogar as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base na Lei Global Magnitsky. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (12), gerou frustração entre parlamentares e apoiadores do bolsonarismo, que vinham apostando na pressão internacional contra o magistrado.
As sanções haviam sido aplicadas meses atrás, incluindo restrições financeiras e de visto, sob a justificativa de supostas violações de direitos humanos no contexto das decisões judiciais conduzidas por Moraes. Com a revogação, o ministro, sua esposa e uma empresa ligada à família deixaram a lista de penalidades do governo dos EUA.
Nas redes sociais e em declarações públicas, bolsonaristas falaram em “decepção” e “traição”. Deputados da oposição afirmaram que Trump teria recuado por razões diplomáticas e econômicas, priorizando interesses estratégicos dos Estados Unidos em detrimento do discurso de enfrentamento ao Judiciário brasileiro. Parte desse grupo avaliou que a Lei Magnitsky acabou sendo usada como instrumento de pressão política e negociação.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou ter recebido a notícia com “pesar” e lamentou a falta de unidade política no Brasil. Em nota, declarou: “Recebemos com pesar a notícia da mais recente decisão anunciada pelo governo americano. Somos gratos pelo apoio que o presidente Trump demonstrou ao longo dessa trajetória e pela atenção que dedicou à grave crise de liberdades que assola o Brasil”.
Já o deputado Maurício Marcon (PL-RS) foi mais agressivo ao afirmar que a revogação deixou um sentimento de “traição”. Segundo ele, Trump teria cobrado um preço elevado para retirar as sanções. “Em voo para o RS, recebo com tristeza a notícia de que Trump revogou as sanções da Lei Magnitsky contra Xandão e sua esposa. O sentimento, não escondamos, é de traição. Certamente o preço cobrado por Trump não foi baixo, e em breve saberemos se Lula ofereceu as terras raras”, escreveu.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) adotou um tom mais reflexivo e disse que o episódio deve servir como lição para a direita brasileira. Para ele, Trump teria usado a Lei Magnitsky apenas como instrumento de negociação política. “A Lei Magnitsky foi banalizada por Trump. Não existe ‘ex-violador de direitos humanos’. Infelizmente colocamos esperanças em alguém que só queria negociar. Uma grande decepção com o presidente americano e uma enorme lição para nós: não terceirizemos nossa responsabilidade”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado Rodrigo Valadares (União-SE) disse que o “sistema se fechou em si” e elogiou o que chamou de sacrifício pessoal de Eduardo Bolsonaro na tentativa de pressionar autoridades internacionais. “Eduardo Bolsonaro sacrificou sua vida e sua família para podermos ter uma chance nessa luta. Ele queimou todos os barcos e conseguiu o que ninguém conseguiria e nem sequer imaginávamos. A direita fez sua parte também: lutamos, fomos pra rua, mobilizamos e pressionamos”, declarou.
Do outro lado, integrantes do governo Lula e aliados no Congresso classificaram a revogação como uma vitória diplomática e um gesto de respeito à soberania brasileira. O STF não comentou oficialmente, mas ministros próximos a Moraes avaliam que a decisão enfraquece a narrativa bolsonarista de perseguição internacional.
A revogação das sanções evidencia a mudança de postura da Casa Branca e reforça o peso das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, além de expor divisões e expectativas frustradas dentro do campo bolsonarista.
