Da Redação
Dois dias após a aprovação do PL da Dosimetria pela Câmara dos Deputados, em uma sessão que avançou madrugada adentro, o cenário político no Congresso já começa a mudar. A forte repercussão negativa do texto nas redes sociais e a convocação de protestos em várias capitais para o próximo domingo transformaram a tramitação no Senado em um teste imediato de sensibilidade política.
O avanço repentino do projeto acendeu alerta em lideranças partidárias e despertou reação organizada de entidades jurídicas, servidores da segurança pública e movimentos de direitos civis. A avaliação predominante é que a Câmara aprovou o texto em um ambiente de baixa visibilidade, mas a resposta social elevou o custo político de manter o ritmo acelerado no Senado.
Nos últimos dois dias, presidentes de comissões, líderes partidários e senadores independentes têm adotado um discurso mais cauteloso. Parte deles avalia que a pressão pública tende a crescer à medida que os protestos se aproximam, criando um ambiente menos favorável à aprovação rápida do projeto. Há, inclusive, movimentações internas para ampliar o debate técnico e promover audiências antes de qualquer votação. Antes prevalecia o sentimento de que a maioria queria superar o tema o quanto antes.
Além da mobilização virtual, a expectativa sobre o tamanho dos atos de rua tem influenciado diretamente o cálculo político no Senado. Parlamentares avaliam que manifestações robustas podem alterar votos e até adiar a análise do texto. A percepção nos bastidores é de que a reação social se tornou um componente central do processo — um fator capaz de redefinir o ritmo, as alianças e a própria estratégia de votação nos próximos dias.
