Da Redação
Em uma reviravolta que surpreendeu até parlamentares experientes, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ) e decidiu aplicar uma suspensão por seis meses ao deputado. A decisão veio nesta quarta-feira (10), um dia depois de o parlamentar ter sido retirado à força da Mesa Diretora pela polícia legislativa, após se recusar a deixar o posto em ato de protesto.
O processo dizia respeito à agressão contra um militante do MBL, episódio que havia motivado o Conselho de Ética a recomendar a cassação em abril. Glauber alegou que “se exaltou” após o provocador ofender sua mãe, então em estágio avançado de Alzheimer — ela morreria dias depois.
A mudança no desfecho ocorreu após uma votação apertada: por 226 a 220, apenas seis votos de diferença, o plenário decidiu apreciar antes uma punição mais branda. Na sequência, a suspensão foi aprovada com ampla margem — 318 votos a 141 — e arquivou automaticamente o processo de perda de mandato, livrando Glauber também da inelegibilidade.
A cassação era considerada provável dentro da Casa, já que o deputado não contava com apoio de grandes bancadas e havia agravado seu desgaste político ao ocupar a cadeira do presidente da Câmara na terça-feira (9). O protesto foi comparado, nos bastidores, ao motim bolsonarista que tomou a Mesa Diretora em agosto, o que rendeu críticas até de aliados.
Durante a sessão, parlamentares de esquerda reconheceram que a agressão ao militante do MBL foi um erro, mas defenderam que não justificava a cassação. A obstrução apresentada pela oposição prolongou a votação e contribuiu para a reviravolta no plenário.
Glauber usou o microfone para afirmar que sua punição teve “patrocínio” do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), acusação negada pelo deputado. Segundo ele, o processo não tinha relação com o chute, mas sim com sua atuação política, especialmente suas críticas ao orçamento secreto e aos líderes da Casa.
A sessão desta quarta ocorreu em meio a forte tensão. As galerias não foram abertas ao público, e o clima no plenário refletia a sequência de confrontos — do protesto na Mesa à confusão que expulsou jornalistas e registrou empurra-empurra entre parlamentares e policiais.
Glauber voltou a dizer que o Congresso “é inimigo do povo” e afirmou que não se calaria “para simplesmente se comportar”. O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP), do MBL, classificou a defesa como “teatro”.
Com a suspensão aprovada, o deputado mantém o mandato e os direitos políticos.
