Da Redação
A agressão sofrida por uma mulher grávida em Delmiro Gouveia, que resultou na prisão em flagrante do ex-companheiro, tornou-se mais um símbolo do avanço da violência contra mulheres em Alagoas. O caso ocorreu após vizinhos ouvirem os pedidos de socorro e acionarem a polícia, que encontrou a vítima ferida após ser arrastada pelos cabelos e submetida a tentativa de enforcamento. A mulher já havia se separado devido a agressões anteriores.
O episódio se junta a outros casos recentes que têm mobilizado autoridades e exposto fragilidades na rede de proteção. Em diferentes municípios, prisões em flagrante se tornaram frequentes, e há relatos de mulheres que, mesmo após denunciarem, permanecem desprotegidas. Em Maceió, por exemplo, na noite de sábado, 15 de novembro de 2025, registrou-se cinco ocorrências de violência doméstica, evidenciando a persistência do problema mesmo em áreas urbanas com maior cobertura policial.
Só no mês de setembro de 2025, o estado Alagoas contabilizou 466 casos de violência contra a mulher — e desse total, 222 ocorreram em Maceió. No primeiro semestre de 2025, foram registrados ao menos 6.811 boletins de ocorrência por violência doméstica no estado, dos quais mais da metade (52,7%) em Maceió
Embora os registros de prisões por violência doméstica tenham aumentado, especialistas apontam que isso convive com a subnotificação — muitas mulheres seguem sem denunciar por medo, dependência financeira ou falta de apoio institucional. O crescimento dos números, portanto, não representa apenas maior atuação policial, mas também a persistência de padrões históricos de desigualdade de gênero e agressões reiteradas.
O caso de Delmiro Gouveia mostra que, apesar de avanços na repressão, a prevenção ainda é insuficiente. A intervenção de vizinhos foi decisiva para impedir um desfecho mais grave, mostrando que a rede de proteção precisa ser ampliada, fortalecida e integrada. A violência contra mulheres permanece como um dos desafios mais urgentes e críticos do estado, exigindo políticas públicas mais robustas, respostas rápidas e mecanismos de apoio que realmente alcancem quem mais precisa.
Onde buscar apoio em Alagoas
Se você ou alguém que você conhece estiver enfrentando violência doméstica ou de gênero, estes são canais e serviços de apoio — gratuitos e públicos — disponíveis no estado:
- Central de Atendimento à Mulher — disque 180: funciona 24 h por dia, em todo o país, com atendimento gratuito e sigiloso para denúncias de violência contra a mulher.
- Delegacia da Mulher — existem unidades em Maceió (Mangabeiras e Jacintinho) e em Arapiraca; também há a possibilidade de usar a delegacia virtual para registrar ocorrências.
- Em casos de risco imediato: ligar para a Polícia Militar de Alagoas — telefone 190. UFAL+1
