Queda histórica nos homicídios em Alagoas indica consolidação de novo padrão de segurança pública, mas violência contra a mulher segue como alerta

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Da Redação

Os dados mais recentes da segurança pública em Alagoas apontam que o estado alcançou um novo patamar no enfrentamento aos crimes letais. Novembro de 2025 terminou com 54 homicídios — o menor número já registrado para o mês — consolidando a tendência de queda contínua iniciada em 2022. No acumulado de janeiro a novembro, o estado registrou 863 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), o melhor desempenho em 13 anos e 56,64% inferior ao contabilizado no mesmo período de 2012. As reduções também se mantêm quando comparadas a 2022 e 2024, indicando estabilidade na curva descendente.

Esse movimento acompanha transformações internas na política de segurança, com uso mais intenso de inteligência, ocupação estratégica de territórios e monitoramento diário das manchas criminais, conforme informações da Secretaria de Segurança Pública do estado. Em Maceió e Arapiraca, a tendência de queda também se confirma. A capital somou 324 CVLIs até novembro, enquanto Arapiraca registrou 58, ambos com recuos relevantes tanto no recorte de curto quanto de longo prazo.

Além da redução dos homicídios, o estado ampliou sua capacidade de repressão ao crime organizado. Entre maio de 2022 e novembro de 2025, foram realizadas 3.715 prisões, 1.080 delas apenas nos onze primeiros meses deste ano. O volume de apreensões também ajuda a dimensionar esse avanço: de janeiro a novembro, 2.645 quilos de drogas e 1.431 armas de fogo foram retirados de circulação, resultado de operações integradas, fortalecimento de unidades especializadas e modernização de equipamentos.

Mesmo diante desse cenário positivo, a violência contra a mulher permanece como um ponto de atenção. Novembro registrou dois feminicídios, número superior ao do mesmo mês de 2024. O alerta ganha ainda mais relevância diante do contexto nacional: hoje, manifestações ocorrerão em várias cidades do país para denunciar o avanço da violência de gênero e cobrar políticas mais eficientes de prevenção e proteção.

Em Alagoas, os dados reforçam essa preocupação. Em 2024, o Ligue 180 contabilizou 10.633 atendimentos a mulheres vítimas de violência no estado, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. As denúncias formais cresceram 15,4%, passando de 1.494 em 2023 para 1.725 em 2024. O perfil das vítimas continua concentrado em mulheres jovens, majoritariamente pretas ou pardas, frequentemente agredidas por parceiros ou ex-parceiros.

Esses números mostram que, embora o estado registre melhora expressiva nos indicadores gerais de criminalidade, a violência de gênero avança em ritmo preocupante e exige ações específicas, contínuas e integradas — tanto no campo da segurança pública quanto nas políticas sociais e na rede de proteção.

Ao mesmo tempo em que fortalece áreas tradicionais da repressão ao crime, o estado precisa ampliar sua capacidade de resposta às agressões que atingem as mulheres. A mobilização nacional que toma as ruas hoje reforça essa urgência e indica que a pressão social deve permanecer.

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