Da Redação
Durante o fim de semana de 6 e 7 de dezembro de 2025, o país testemunhou uma onda de mobilizações em capitais e grandes cidades — de Norte a Sul — em protesto contra a violência de gênero e os recentes casos de feminicídio. Movimentos feministas, coletivos sociais, sindicatos, partidos políticos e cidadãos independentes se uniram, transformando avenidas e praças em espaços de denúncia e luta.
Em diversos locais, manifestantes carregaram faixas e cartazes com mensagens como “Parem de nos matar”, “Não me mate” e “Proteja suas amigas”. Em algumas cidades, o protesto ganhou forte carga simbólica: sapatos nas mãos para representar vítimas, cruzes com nomes, bandeiras de lutas diversas — tudo apontando para a urgência de políticas públicas e de uma mudança cultural profunda.
Esse levante nacional ecoa em um contexto somado de dados recentes que mostram a persistência — e a gravidade — da violência contra a mulher no Brasil.
Dados recentes revelam dimensão da crise
De acordo com o mais recente relatório Ministério das Mulheres, divulgado em 2025, o Brasil registrou 1.450 feminicídios em 2024, além de 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte de mulheres.
No mesmo período, foram contabilizados 71.892 casos de estupro de mulheres — o equivalente, em média, a cerca de 196 casos por dia.
Embora os dados mostrem uma leve retração de 5,1% nos casos de violência letal em comparação com 2023, os números continuam alarmantes e expressam a persistência de um padrão estrutural de violência contra mulheres.
Além disso, os registros mostram que a maior parte das vítimas de violência letal é negra (pretas ou pardas), num retrato que evidencia desigualdades raciais e sociais profundas.
O levantamento também indica que, em 76,6% dos casos de violência doméstica, sexual ou de gênero notificados, o agressor é um homem, e a residência é o local mais comum das agressões — 71,6% dos registros.
Paralelamente, o serviço nacional Ligue 180, canal de acolhimento e denúncia, reforça a magnitude do problema: somente entre janeiro e julho de 2025 foram registradas 86.025 denúncias em todo o país, um aumento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2024.
As denúncias apontam frequentemente para violência física, psicológica, sexual ou patrimonial.
Alagoas: alerta e mobilização em Maceió

No estado de Alagoas, o balanço recente do Ligue 180 destaca que, em 2024, foram realizados 10.633 atendimentos relacionados à violência contra a mulher — um aumento de 5% em relação a 2023. As denúncias também cresceram de 1.494 em 2023 para 1.725 em 2024, aumento de 15,4%. Esses dados mostram que, embora haja maior busca por denúncia e acolhimento, a violência doméstica e de gênero continua sendo uma realidade grave em Alagoas.
Diante desse contexto, a mobilização realizada na orla da Pajuçara, em Maceió — no domingo, com início por volta das 15h — assume relevância simbólica e política. O protesto reuniu centenas de pessoas, entre mulheres, homens, movimentos sociais e representantes públicos, como o deputado federal Paulão (PT), que acompanharam a marcha e ergueram vozes pela justiça, proteção e políticas públicas efetivas.
O que os protestos exigem — e por que importa

As manifestações, tanto em Alagoas quanto nas demais regiões, levantaram demandas claras e urgentes:
- Justiça imediata para vítimas de feminicídio;
- Acesso ágil a medidas protetivas, delegacias especializadas funcionando 24h, casas de acolhimento e rede de apoio psicossocial;
- Educação e políticas públicas permanentes de prevenção à violência de gênero;
- Reconhecimento da violência doméstica e de gênero como problema estrutural — não individual — e mobilização social constante para combatê-la;
- A garantia de que denúncias não caiam no esquecimento — e que cada caso seja investigado com seriedade.
A mobilização nacional mostra que a luta não cabe apenas a quem sofre a violência: é uma responsabilidade coletiva, do Estado e da sociedade. Os protestos deste fim de semana lembraram que diante da gravidade da situação, o silêncio, o medo, a invisibilidade e a ineficiência do estado não serão mais tolerados. O Brasil e Alagoas precisam de políticas eficazes.
