Da Redação
Cinco policiais do Batalhão de Choque foram presos nesta sexta-feira (28) por crimes cometidos durante a megaoperação realizada no dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação, conhecida como Operação Contenção, deixou 122 mortos e é considerada a mais letal do estado em anos.
Além das prisões, outros cinco militares se tornaram alvo de mandados de busca e apreensão. As investigações estão sendo conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar e pela Corregedoria, que utilizam imagens das câmeras corporais para esclarecer a atuação dos envolvidos.
Desvios revelados pelas câmeras corporais
As gravações analisadas pelos investigadores mostram indícios de condutas criminosas durante a operação. Entre elas aparecem o desvio de um fuzil que teria como destino facções criminosas e o furto de peças de uma caminhonete pertencente a um morador da região.
A apuração identificou que um dos sargentos desmontou um fuzil encontrado após confronto e guardou parte das peças na mochila. Em outro núcleo da investigação, um subtenente autorizou o desmonte de uma Fiat Toro — de onde foram retirados faróis, capas de retrovisor e proteções do motor — que foram colocados na viatura policial.
Mortes, denúncias e pressão por investigação independente
A megaoperação, que oficialmente tinha como objetivo enfraquecer o Comando Vermelho e capturar Edgar Alves de Andrade, o Doca, terminou sem a prisão do principal alvo e com um saldo de 122 corpos. A dimensão da letalidade provocou reação de organizações e órgãos públicos.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj acompanha o caso desde os primeiros relatos de moradores e encaminhou documentação ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF das Favelas, e pede para que as investigações sejam federalizadas. Segundo a comissão, surgiram denúncias de mortes de pessoas não envolvidas com o tráfico, prisões irregulares e relatos de assédio praticado contra mulheres durante a operação.
Ouvidoria da Defensoria aponta violações
A Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio divulgou relatório em que reúne depoimentos de residentes dos complexos do Alemão e da Penha. O documento lista alegações de abusos, incluindo assassinatos de moradores que não estavam armados ou vinculados ao crime, além de casos de assédio praticado por agentes.
As denúncias aumentam a pressão sobre o Governo do Rio para esclarecer as circunstâncias da operação e a responsabilidade dos policiais envolvidos.
Corporação tenta responder à crise
A Polícia Militar afirma que não tolera desvios de conduta e que agentes identificados praticando crimes são responsabilizados. As prisões desta sexta-feira fazem parte do processo de apuração interna que se intensificou após a divulgação das imagens das câmeras corporais.
As investigações continuam e podem atingir novos envolvidos, enquanto aumentam as discussões sobre protocolos de atuação, controle externo e impactos das grandes operações policiais em comunidades densamente povoadas.
