Da Redação
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre móvel até outubro com a menor taxa de desocupação já registrada desde o início da série histórica, em 2012. O índice caiu para 5,4%, retomando o melhor patamar da pesquisa e consolidando a tendência de aquecimento da economia e expansão da ocupação ao longo de 2025.
A queda é acompanhada por um novo piso no número de desempregados: 5,91 milhões de pessoas, o menor contingente já apurado pelo levantamento. Em relação ao trimestre anterior, houve redução de 3,4%, o equivalente a menos 207 mil pessoas em busca de trabalho. Na comparação anual, a queda chega a 11,8%, totalizando menos 788 mil pessoas nessa condição.
Antes desse resultado, a taxa de desemprego vinha se mantendo em 5,6% nos trimestres até julho, agosto e setembro. O avanço mais recente mostra que a combinação de ocupação elevada e menor pressão por busca de trabalho vem reduzindo gradualmente o número de pessoas desocupadas.
O total de trabalhadores ocupados permaneceu em patamar recorde, com 102,5 milhões de pessoas. O nível de ocupação — proporção de trabalhadores dentro da população em idade ativa — ficou em 58,8%, mantendo estabilidade e indicando que o mercado continua absorvendo mão de obra em larga escala.
Construção e administração pública impulsionam o trimestre
Entre os dez grupamentos de atividade analisados, dois impulsionaram o resultado:
- Construção, com crescimento de 2,6% e acréscimo de 192 mil pessoas;
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com alta de 1,3% e 252 mil novos trabalhadores.
Outros serviços apresentaram recuo de 2,8%, o equivalente a menos 156 mil pessoas. Na comparação anual, houve avanço em atividades como transporte, armazenagem e correio, que cresceram 3,9% com a inclusão de 223 mil trabalhadores, e na administração pública, que aumentou 3,8%, com 711 mil pessoas a mais.
Formalização segue avançando; informalidade fica estável
A informalidade representou 37,8% da população ocupada, o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores. O percentual permanece estável em relação ao trimestre anterior, mas está abaixo dos 38,9% registrados no mesmo período de 2024, quando havia 40,3 milhões de informais.
O emprego formal segue em trajetória positiva. O contingente de trabalhadores do setor privado com carteira assinada atingiu 39,182 milhões, renovando o recorde histórico. Em um ano, esse grupo cresceu 2,4%, com acréscimo de 927 mil pessoas. No setor público, o número de ocupados ficou em 12,9 milhões, também com alta anual de 2,4%.
Entre os informais, houve estabilidade no número de empregados sem carteira, que somaram 13,6 milhões, mas com queda de 3,9% na comparação anual, o que representa menos 550 mil trabalhadores. O total de trabalhadores por conta própria chegou a 25,9 milhões, com aumento de 3,1% em um ano, incorporando 771 mil pessoas.
Massa de rendimento alcança recorde e eleva poder de compra
A massa de rendimento habitual chegou a R$ 357,3 bilhões, o maior valor já registrado, resultado sustentado pela combinação de ocupação elevada e rendimentos estáveis. Em um ano, houve crescimento de 5%, o equivalente a R$ 16,9 bilhões a mais circulando na economia.
O rendimento médio real avançou 3,9% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Setores como construção, informação e comunicação, alojamento e alimentação, e agricultura apresentaram aumentos importantes no rendimento médio.
Subutilização cai ao menor nível e desalento diminui
A taxa composta de subutilização da força de trabalho caiu para 13,9%, o menor nível da série histórica. O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas recuou para 4,572 milhões, o menor contingente desde 2016.
A força de trabalho potencial caiu para 5,2 milhões, o menor patamar desde 2015. O desalento também diminuiu, chegando a 2,647 milhões, bem abaixo do pico registrado durante a pandemia.
