Ramagem nos EUA: o que se sabe sobre a suposta “anuência” do governo Trump

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Da Redação

A declaração do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), de que estaria “seguro” nos Estados Unidos com a “anuência” do governo Donald Trump, acrescenta uma nova camada política à sua fuga do Brasil. O parlamentar, condenado por tentativa de golpe e alvo de ordem de prisão do STF, utiliza essa narrativa para reforçar a tese de perseguição judicial — mas, até agora, sem confirmação oficial norte-americana.

Ramagem afirma estar nos EUA desde setembro e diz ter sido “abraçado” por autoridades locais ao desembarcar. O termo “anuência”, porém, permanece vago. Não há, até o momento, registro de qualquer ato formal do governo americano que conceda proteção, asilo ou status especial ao deputado. Sua versão se sustenta apenas nos próprios relatos, sem documentos, notas diplomáticas ou manifestações públicas de Washington.

Do lado brasileiro, a situação aponta na direção oposta. A Câmara informou que não foi comunicada da viagem e que o deputado não tinha autorização para deixar o país. Além disso, Ramagem violou medidas cautelares impostas pelo STF — entre elas a obrigação de entregar seus passaportes. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que ele tenha deixado o Brasil por rotas terrestres até uma fronteira antes de embarcar para os EUA.

No campo político, a fala sobre apoio do governo Trump serve para alimentar a narrativa de alinhamento internacional de perseguidos por “forças institucionais”, uma retórica que também dialoga com setores da direita americana. Mas, sem confirmação oficial, a versão funciona mais como instrumento político do que como informação comprovada.

Enquanto isso, a Justiça brasileira considera Ramagem foragido, e o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão. Na prática, o parlamentar se encontra num limbo jurídico: amparado pela própria narrativa, mas sem garantias diplomáticas públicas que sustentem sua permanência segura no exterior.

O caso permanece aberto — e agora depende do próximo movimento dos EUA, que ainda não se pronunciaram, e do avanço das investigações brasileiras sobre como o deputado deixou o país em meio a uma ordem expressa que o impedia de viajar.

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