Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou neste domingo a expectativa de que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul será finalmente assinado em 20 de dezembro, no Brasil. Brasília e Foz do Iguaçu estão entre as cidades cotadas para sediar a cerimônia, que marcaria o encerramento de uma das negociações mais longas e complexas da diplomacia recente.
Lula destacou que o pacto criará a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo 722 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. A dimensão econômica e geoestratégica tem sido usada pelo governo para mostrar o peso histórico do entendimento, cujo capítulo político foi assinado há um ano.
Pressão global impulsiona a reta final
A aceleração do processo é influenciada pelo ambiente internacional. A guerra tarifária intensificada pelo presidente norte-americano Donald Trump reacendeu nos dois blocos a necessidade de diversificar parceiros e fortalecer cadeias de comércio fora do eixo Estados Unidos–China. Isso deu novo fôlego a um acordo travado repetidas vezes ao longo de quase 25 anos de negociações.
Lula também tem motivos políticos para insistir na assinatura ainda este ano:encerra-se seu mandato rotativo na presidência do Mercosul e termina igualmente a presidência dinamarquesa da União Europeia.
A última barreira: a cláusula de salvaguarda exigida pela França
Apesar do otimismo brasileiro, a maior resistência continua vindo da França, que quer uma cláusula de salvaguarda mais rígida. Esse mecanismo permite a um país restringir temporariamente importações quando elas ameaçam setores internos, e interessa especialmente aos franceses por causa da competição com a carne bovina brasileira e argentina.
Durante a cúpula do G20, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, reforçou ao chanceler argentino Pablo Quirno que o apoio de Paris depende da incorporação de todas as condições estabelecidas por Emmanuel Macron — em particular, uma salvaguarda robusta.
Assinatura em dezembro não encerra o processo
Mesmo confiante, Lula reconheceu que a assinatura será apenas o início de uma etapa mais técnica e prolongada:
Haverá muito trabalho a fazer antes de podermos usufruir dos benefícios deste acordo, mas vamos assiná-lo.
A frase sintetiza a situação: o pacto está politicamente maduro, mas ainda depende de ajustes finais e da superação das pressões internas europeias. Se confirmado, será um dos mais importantes movimentos da política externa brasileira em décadas — e um marco global nas relações comerciais.
