Eli Mário Magalhães
Maceió viveu, no Vamos Subir a Serra, uma noite em que a emoção não coube nos limites do palco. O maior evento afro-cultural do Norte e Nordeste mais uma vez tomou a cidade, celebrando ancestralidade, resistência e arte em suas formas mais vivas. E, no meio dessa celebração, Paulinho da Viola transformou o evento em pura alegria compartilhada.
Desde os primeiros acordes, a plateia mostrou que aquela apresentação seria diferente. Nada de silêncio: o público cantou, dançou, acompanhou cada verso com entusiasmo de festa e reverência de encontro. As músicas que atravessam gerações ecoaram pela orla com a força de um coral espontâneo — gente de todas as idades celebrando o samba como quem reencontra uma parte de si.
A apresentação ganhou o brilho de um espetáculo coletivo. As harmonias cuidadosas, os arranjos precisos e a presença suave de Paulinho se uniram ao calor humano da multidão, criando uma atmosfera que só o Subir a Serra consegue oferecer. A vibração era tamanha que parecia que Maceió inteira havia concordado em transformar aquela noite num grande abraço musical.
O evento, conhecido por exaltar a cultura negra e promover encontros entre passado e presente, encontrou em Paulinho um fio delicado que costura memória e renovação. A energia da plateia — pulsante, afetiva, contagiante — fez cada canção soar como celebração e ritual.A noite terminou com risos, passos de dança e a certeza de que algo especial havia acontecido. Não foi apenas um show. Foi uma experiência partilhada, uma festa de beleza que Maceió vai guardar por muito tempo.
