IPCA de outubro surpreende e derruba projeções do mercado
Da Redação
A divulgação do IPCA de outubro — alta de apenas 0,09%, a menor taxa para o mês em 27 anos — mudou o humor do mercado e levou, pela primeira vez neste ano, o Boletim Focus a projetar que a inflação de 2025 ficará dentro do sistema de metas. Os bancos esperavam um índice de 0,26%, mas o resultado veio bem abaixo.
A desaceleração foi puxada, sobretudo, pela queda de 2,39% na energia elétrica residencial, após a migração da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para o patamar 1, reduzindo o peso dos custos adicionais na conta de luz.
Cenário fiscal menos pressionado contribui para descompressão da inflação
Além do alívio nos preços administrados, analistas ressaltam que a melhora parcial das contas públicas ao longo deste ano — com arrecadação pontualmente mais forte e menor avanço das despesas obrigatórias — ajudou a reduzir as expectativas inflacionárias. Embora ainda exista cautela sobre a trajetória fiscal, o movimento foi suficiente para reforçar a percepção de um ambiente desinflacionário mais estável.
Projeções para 2025 colocam inflação novamente dentro da meta
Com o IPCA de outubro e a leitura fiscal mais moderada, o mercado passou a prever uma inflação de 2025 compatível com o sistema de metas, afastando o risco de mais um ano de descumprimento. Desde dezembro de 2024, as projeções estavam persistentemente acima do teto.
Juros reais acima de 10% reacendem debate sobre cortes em 2025
O novo cenário fortalece a pressão por cortes mais robustos na taxa Selic ao longo de 2025. Mesmo com a desaceleração da inflação, o Brasil segue operando com juros reais acima de 10% ao ano — entre os mais altos do mundo — o que tem sido apontado por economistas e setores produtivos como obstáculo ao investimento e à retomada da atividade econômica.
Atividade mais fraca reforça espaço para flexibilização monetária
Com alguns indicadores de atividade mostrando perda de fôlego, cresce o diagnóstico de que manter a Selic elevada por muito tempo pode comprometer a recuperação do crescimento. A combinação de inflação controlada, demanda mais fraca e quadro fiscal menos tenso abre espaço para que o Banco Central considere um ciclo de redução mais firme dos juros.
2025 pode marcar início de uma política monetária mais alinhada ao crescimento
Se as condições atuais forem mantidas, tende a ganhar força a expectativa de que 2025 inaugure uma política de juros mais compatível com a trajetória da inflação — e com a necessidade de reaquecer a economia. A virada das expectativas inflacionárias reforça a visão de que a Selic poderá, finalmente, entrar em trajetória de queda ao longo do próximo ano.
