Da Redação
A distância salarial entre trabalhadores com e sem diploma universitário segue sendo um dos fatores mais sólidos da desigualdade brasileira. Levantamentos recentes mostram que quem não possui ensino superior recebe, em média, cerca de R$ 2,6 mil, enquanto profissionais com diploma alcançam rendimentos próximos de R$ 7,5 mil. Em outras palavras, trabalhadores sem curso superior ganham pouco mais de um terço do que recebem aqueles que concluíram uma graduação — uma diferença que se aproxima de três vezes.
Apesar desses dados, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex presidente Jair Bolsonaro afirmou recentemente que o mercado de trabalho estaria dando “cada vez menos importância” ao diploma na hora de contratar e o seu governo aposta no ensino técnico. A decisão vai na contramão das evidências disponíveis e acentua o contraste entre dois projetos de país: um que aposta na expansão educacional como estratégia de aumento de renda e outro que, ao relativizar a importância da formação superior, acaba alinhado a interesses empresariais que se beneficiam de trabalhadores qualificados, porém com menor capacidade de reivindicar salários mais altos.
Esse choque também reflete divergências mais amplas sobre educação no Brasil. Durante o governo Bolsonaro, universidades públicas foram alvo de críticas sistemáticas. O então ministro da Educação, Abraham Weintraub, atacou as instituições, acusando-as de promover “balbúrdia” e afirmando que ali haveria plantações de maconha e laboratórios para produção de drogas sintéticas — sem apresentar evidências concretas. Além disso, cortes de até 30% no orçamento das universidades federais foram justificados pelo governo justamente com esse discurso de desordem.

Em contraste, todos os mandatos do presidente Lula colocaram a educação no centro das políticas de desenvolvimento. A criação e interiorização das universidades federais, a expansão dos Institutos Federais, o fortalecimento do Prouni, Reuni, Fies e a consolidação do Enem como porta de entrada para o ensino superior mudaram a paisagem educacional do país na última década e meia.
No terceiro mandato, o presidente Lula segue com a estratégia de aumentar as chances de ingresso no ensino superior com dois movimentos simultâneos. O primeiro é a ampliação de vagas nas universidades federais e nos IFs, acompanhada de investimentos em infraestrutura e assistência estudantil — ações voltadas não apenas para criar vagas, mas garantir permanência e conclusão.
O segundo movimento mira o maior gargalo da educação brasileira: a evasão no ensino médio. Para enfrentá-la, foi lançado o Programa Pé-de-Meia, que garante incentivo financeiro mensal e bônus por conclusão de cada ano letivo. A política tem como objetivo manter os jovens na escola e ampliar o número de estudantes aptos a concorrer ao ensino superior.
Num país onde a renda média de quem tem diploma pode ser quase três vezes maior que a de quem não tem, reconhecer a importância da formação superior não é apenas uma escolha educacional — é uma decisão estratégica sobre que tipo de futuro e de mercado de trabalho se deseja construir.
Ao apostar na expansão universitária e no combate à evasão, o governo federal coloca no centro do debate o trabalhador e sua capacidade de ascender socialmente. Ao minimizá-la, reforça-se um modelo que beneficia setores empresariais, mas mantém milhões de brasileiros presos a empregos de baixa remuneração e pouca mobilidade.
