Da Redação
Embora a possibilidade de uma candidatura presidencial em 2026 tenha ganhado força nos últimos meses, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), dá sinais de que pode recuar da disputa. Pessoas próximas ao governo estadual apontam que o chefe do Executivo paranaense está mais inclinado a concluir o mandato e concentrar esforços na sucessão local, diante da preocupação com o avanço do senador Sergio Moro (União Brasil) nas pesquisas para o governo do estado.
A decisão final, porém, ainda não foi tomada. Ratinho Júnior deve conversar nos próximos dias com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de anunciar oficialmente sua posição. A indefinição ocorre em meio a pressões políticas e familiares. Além da necessidade de garantir a continuidade de seu grupo político no Paraná, o governador também enfrenta resistência do pai, o apresentador Ratinho, que teme eventuais impactos de uma candidatura nacional sobre os negócios da família, conforme informações publicadas no Jota Info.
A permanência no Palácio Iguaçu é vista como estratégica para fortalecer o campo político do governador e conter o avanço de Moro, líder isolado nas sondagens para o governo estadual. Segundo levantamento da Neokemp Pesquisas divulgado nesta quinta-feira (6), o senador aparece com ampla vantagem e poderia vencer ainda no primeiro turno. Entre os nomes cotados para disputar o governo com apoio de Ratinho Júnior estão os secretários estaduais Guto Silva (Cidades) e Rafael Greca (Desenvolvimento Sustentável), além do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).
Com 70,2% de aprovação, a gestão de Ratinho Júnior mantém altos índices de popularidade, o que reforça seu peso político regional e nacional. O bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência —em que avançou 13 pontos percentuais – chegou a projetá-lo como uma das principais apostas do centro-direita para 2026.
Ainda assim, aliados avaliam que o momento exige cautela. Ao permanecer no governo até o fim do mandato, Ratinho Júnior preservaria o controle sobre a máquina estadual e teria mais tempo para articular a sucessão, evitando o risco de esvaziamento político no Paraná e eventuais divisões dentro do PSD. A eventual desistência da corrida presidencial, portanto, seria menos um recuo pessoal e mais um movimento calculado para assegurar a sobrevivência e a influência de seu grupo político no cenário regional e nacional.
