Da Redação
O novo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre renda e desigualdade no Nordeste revela um retrato duplo de Alagoas: de um lado, um dos maiores crescimentos de renda do país; de outro, a permanência de desigualdades profundas. Entre 2012 e 2024, o rendimento domiciliar per capita do estado aumentou 48,5%, o melhor resultado do Nordeste e quase o dobro da média regional, de 26,7%.
O salto é expressivo. Em pouco mais de uma década, a renda média por pessoa passou de R$ 887 para R$ 1.317, impulsionada por uma combinação de fatores: expansão dos programas de transferência de renda, recuperação gradual do emprego formal e ampliação de políticas estaduais voltadas à educação técnica e ao desenvolvimento econômico.
Entre 2022 e 2024, o avanço foi ainda mais rápido. Nesse período, a renda per capita cresceu 31,7%, ficando atrás apenas de Pernambuco. Para especialistas, a aceleração recente reflete o impacto de políticas públicas mais robustas e de uma gestão local que tem priorizado setores com maior potencial de geração de empregos, como o turismo.
O mercado de trabalho confirma a tendência. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o setor de alojamento e alimentação — diretamente ligado ao turismo — abriu 6.666 novas vagas com carteira assinada nos últimos dois anos, crescimento de 26,3% sobre o triênio anterior.
Apesar dos avanços, o ponto de partida ainda é baixo. A renda média dos alagoanos segue entre as menores do país, e a concentração de riqueza continua alta. A desigualdade persiste como obstáculo à consolidação dos ganhos econômicos e à melhoria das condições de vida.
O desempenho recente, no entanto, indica uma tendência de convergência regional. Se o estado mantiver o ritmo de crescimento e ampliar os investimentos em qualificação profissional e produtividade, pode transformar o bom momento em base sólida para uma redução mais consistente das disparidades sociais.
