A presidente mexicana propõe criminalização do assédio de rua em todo o México
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou uma revisão dos códigos penais estaduais para que o assédio de rua seja reconhecido como crime em todo o país. A iniciativa, apresentada nesta quarta-feira (6), no Palácio Nacional, surge após a própria mandatária ter sido vítima de uma abordagem indevida em via pública — episódio que ela decidiu levar às autoridades.
Video publicado pelo Jornal do Interior, em seu perfil nas redes sociais, mostra quando um homem se aproxima de Sheinbaum, tenta beija-la e toca em seu corpo antes de ser contido por um segurança. As imagens viralizaram e alimentou o debate sobre mulheres em cargos públicos e a exposição à violência de gênero.
Ao formalizar a denúncia, Sheinbaum rompeu com um padrão estatístico alarmante no México: apenas uma em cada dez mulheres vítimas de violência apresenta queixa formal. A atitude, vista como um gesto político e simbólico, foi interpretada como um esforço para expor a normalização do assédio e reforçar a necessidade de responsabilização em casos desse tipo.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), publicados no jornal El País, revelam que cerca de 23 milhões de mexicanas já sofreram algum tipo de assédio nas ruas, o equivalente à metade da população da Espanha.
Quase metade das mulheres do país relata ter vivido situações semelhantes, frequentemente em plena luz do dia e diante de testemunhas. Ainda assim, 94% dessas ocorrências não chegam às autoridades, em geral por serem consideradas de “pouca relevância” pelas próprias vítimas.
A revisão proposta pelo governo federal pretende uniformizar o tratamento jurídico do assédio de rua nos 32 estados mexicanos. Atualmente, a tipificação do crime é garantida apenas na Cidade do México, onde legislações locais já preveem punições específicas para condutas invasivas ou de conotação sexual em espaços públicos.
Com essa medida, Sheinbaum tenta converter uma experiência pessoal em uma pauta nacional de enfrentamento à violência de gênero. O gesto se soma a um discurso mais amplo de fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.
A presidente sinaliza, assim, uma tentativa de transformar o episódio em um marco político e jurídico: o de colocar o Estado mexicano diante da obrigação de reconhecer o assédio de rua como crime em todo o território nacional — e de garantir que as vítimas encontrem respaldo para denunciar.
Fonte: El Pais
