Karyny Virgino Silva, servidora do Banco do Brasil, disse em tom de piada que levava uma bomba; Polícia Federal tratou o caso como ameaça real.
Da Redação
A bancária Karyny Virgino Silva, funcionária do Banco do Brasil, foi liberada sem fiança após audiência de custódia nesta segunda-feira (27/10), em Brasília. Ela havia sido presa em flagrante no domingo (26), depois de afirmar, durante o check-in da Azul Linhas Aéreas, que levava “uma bomba” na bagagem.
Relatos colhidos pela Polícia Federal e pela imprensa indicam que o diálogo teria ocorrido de forma aparentemente casual: “Tem algum item proibido na sua bagagem?”“Só se for uma bomba…”
A declaração foi feita em tom de brincadeira, mas levou à imediata ativação do protocolo de segurança no Aeroporto Internacional de Brasília – Juscelino Kubitschek. As bagagens de Karyny e de uma amiga que a acompanhava foram inspecionadas, e nenhum explosivo foi encontrado.
A PF confirmou a prisão em flagrante com base no artigo 261 do Código Penal, que pune com reclusão de dois a cinco anos e multa quem pratica ato capaz de impedir ou dificultar a navegação aérea.
Na audiência de custódia, o juiz entendeu que a bancária não representa risco à ordem pública, tem emprego e residência fixa, e não possui antecedentes criminais. Por isso, decidiu pela liberação sem fiança.
A defesa de Karyny alegou que a fala foi apenas “uma piada infeliz”, sem qualquer intenção de causar alarde.
A Azul Linhas Aéreas informou, em nota, que o protocolo foi seguido “para garantir a segurança das operações”.
O Banco do Brasil, onde a servidora trabalha, informou que não vai se manifestar sobre o caso.
Por que é crime
De acordo com o perito aeronáutico Daniel Calazans, ouvido pelo g1, a simples declaração de que há uma bomba obriga a polícia a agir de forma imediata:
“Se ela declarou que tinha bomba a bordo, a polícia não vai levar isso em termos de piada. Vai investigar como se fosse verdade e tomar as providências cabíveis.”
A legislação brasileira e os protocolos internacionais de aviação civil determinam que toda ameaça, mesmo verbal, deve ser tratada como risco real, pois é capaz de mobilizar forças de segurança, interromper operações e gerar pânico entre passageiros.
Durante o check-in, companhias aéreas seguem um roteiro de perguntas padronizadas sobre itens proibidos, que incluem explosivos, combustíveis, gases e materiais radioativos.
Por isso, “brincadeiras” ou ironias nesse contexto podem configurar crime, independentemente da intenção.
Casos semelhantes
O caso de Brasília não é isolado. O g1 relembra outros episódios em que comentários sobre bombas resultaram em prisões e atrasos em voos:
2013 – Passageira impedida de embarcar em SP após o pai ironizar que ela não havia sido considerada terrorista;
2019 – Homem de 64 anos retirado de voo em Recife após dizer que levava uma bomba;
2023 – Passageiro em Teresina brinca com a palavra “bomba”; o voo é esvaziado e atrasa quatro horas;
2024 – Influenciadores Kel Ferretti e Igor Campioni são retirados de avião em Guarulhos após piada semelhante.
