Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém ampla liderança na corrida presidencial de 2026, vencendo todos os cenários testados pelo instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira (27).
O levantamento mostra que Lula segue à frente de Jair Bolsonaro (PL) e de todos os nomes alternativos da direita, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Cenário 1 – Lula x Bolsonaro
No primeiro cenário, que repete a polarização de 2022, Lula tem 37% das intenções de voto, contra 31% de Jair Bolsonaro — que permanece inelegível até 2030 por decisão do TSE.
Em seguida, aparecem Ciro Gomes (PSDB) com 7,5%, Ratinho Jr. (PSD) com 6,0%, Romeu Zema (Novo) com 4,7%, e Ronaldo Caiado (União Brasil) com 3,2%.
Votos brancos e nulos somam 5,8%, e 4,8% dos entrevistados não souberam ou não opinaram.
Cenário 2 – com Michelle Bolsonaro
Sem o ex-presidente, o PL aparece representado por Michelle Bolsonaro. Neste cenário, Lula lidera com 38,6%, enquanto Michelle Bolsonaro tem 21,7% — uma diferença de quase 17 pontos percentuais.
Em seguida surgem Ratinho Jr. (8,4%), Ciro Gomes (7,3%), Romeu Zema (6,8%) e Ronaldo Caiado (5,7%). Brancos e nulos totalizam 7,1%, e 9,3% não souberam responder.
O resultado evidencia que a tentativa de transformar Michelle em herdeira política do bolsonarismo ainda não convenceu o eleitorado, especialmente o feminino e o do Sudeste, onde Lula mantém boa vantagem.
Cenário 3 – com Tarcísio de Freitas
No terceiro cenário, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece como aposta de parte da direita, mas o desempenho é igualmente insuficiente.
Lula lidera com 37,4%, contra 22,3% de Tarcísio — uma diferença de 15 pontos. Logo atrás vêm Ciro Gomes (7,8%), Ratinho Jr. (6,2%), Romeu Zema (5,1%) e Ronaldo Caiado (3,8%).
Brancos e nulos somam 11,5%, e 6% não opinaram.
Nos cenários de segundo turno testados pelo Paraná Pesquisas, Lula vence todos os adversários, incluindo Bolsonaro, Michelle e Tarcísio:
- Lula 44,9% x Jair Bolsonaro 41,6%
Brancos/nulos: 7,7% — Não souberam: 5,7% - Lula 44,7% x Michelle Bolsonaro 41,6%
Brancos/nulos: 8,2% — Não souberam: 5,5% - Lula 44,9% x Tarcísio de Freitas 40,9%
Brancos/nulos: 8,0% — Não souberam: 6,2% - Lula 46,7% x Flávio Bolsonaro 37,0%
Brancos/nulos: 10,4% — Não souberam: 5,8%
A vantagem de Lula sobre os principais nomes da direita varia de 3 a 9 pontos percentuais, consolidando seu favoritismo tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Os erros que minaram Tarcísio
A má performance de Tarcísio de Freitas reflete o desgaste de sua imagem.
Antes visto como gestor técnico e moderado, o governador perdeu credibilidade ao adotar posições impopulares e contraditórias.
Entre seus erros recentes:
- Apoiar as tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o que gerou reação negativa entre industriais e exportadores;
- Atacar o STF em discursos, reacendendo tensões institucionais rejeitadas por boa parte da população;
- Defender anistia para golpistas do 8 de janeiro, reforçando a imagem de conivência com o extremismo;
- E se opor à taxação das “bets”, das fintechs e dos bilionários, medidas vistas como instrumentos de justiça fiscal.
Essas posturas desgastaram o governador junto ao eleitorado de centro e o afastaram de alguns setores econômicos que antes o viam como alternativa. O próprio Tarcísio chegou a reconhecer que “Lula está com a eleição na mão”, admitindo a força do presidente e a fraqueza da oposição.
Lula fortalecido, direita sem rumo
Com vitória em todos os cenários, Lula confirma hegemonia eleitoral e estabilidade política.
O presidente mantém ampla liderança no Nordeste, melhora seu desempenho no Sudeste e mantém apoio majoritário entre mulheres, jovens e eleitores de baixa renda.
Enquanto isso, a direita segue sem unidade nem liderança: Bolsonaro está fora do jogo, Michelle não empolga, e Tarcísio se desgasta. O resultado é um campo conservador fragmentado, confuso e sem estratégia eleitoral clara.
A menos de um ano da pré-campanha, o panorama é inequívoco:
Lula domina o cenário político e eleitoral do país, enquanto a direita tenta se reinventar — e falha.
