Renan Calheiros critica criação de casa de apostas da Caixa e acusa Centrão de “bancar a jogatina”

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Eli Mário Magalhães

A decisão da Caixa Econômica Federal de lançar uma casa de apostas esportivas própria gerou forte reação no governo e acirrou tensões políticas dentro da base aliada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou contrariado com a iniciativa e determinou que o presidente do banco, Carlos Vieira, seja convocado para prestar esclarecimentos assim que ele retornar da viagem à Ásia.

Segundo interlocutores do Planalto, o governo é claramente contrário ao lançamento da plataforma de apostas, por considerá-lo incoerente com o discurso oficial de crítica ao avanço das bets no país. Lula tem reiterado a necessidade de aumentar a taxação sobre empresas do setor, e o Ministério da Fazenda deve reenviar ao Congresso, nos próximos dias, uma proposta que amplia a tributação das casas de apostas e fintechs.

Nas redes sociais, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) endossou as críticas e responsabilizou o Centrão pela medida.

“O Centrão achou pouco derrubar a taxação BBB — Bets, Bancos e Bilionários. Agora querem bancar a jogatina, criar uma bet pra chamar de sua na Caixa Nostra”, escreveu o parlamentar.

Renan classificou a iniciativa como um retrocesso e disse que transformar um banco público em operador de apostas seria “um desvio de função inaceitável”. “Querem usar a Caixa para legitimar a jogatina. O governo precisa reagir e impedir essa distorção”, afirmou.

A autorização para o funcionamento da nova plataforma foi concedida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, em análise técnica e formal, sem avaliação política. Mesmo assim, a decisão foi vista no Planalto como um movimento articulado por forças políticas ligadas ao Centrão, que hoje exercem influência sobre a estrutura da Caixa.

Com o Planalto contrário à medida e o embate com o Centrão novamente à tona, a tendência é que Lula mande suspender o projeto.

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