Lula e Trump se reúnem na Malásia em encontro que pode destravar bilhões em investimentos e redefinir relação bilateral

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Da Redação

O aguardado encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para este domingo (26), na Malásia, deve marcar um novo capítulo nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Após meses de tensão diplomática, o diálogo entre os dois líderes reacende expectativas no setor econômico e no meio empresarial de ambos os países.

Segundo o colunista Jamil Chade, do UOL, empresários brasileiros e americanos apostam na possibilidade de um acordo para redução de tarifas comerciais, o que poderia impulsionar exportações e destravar investimentos bilaterais. O setor privado estima que um gesto político de aproximação entre os dois governos possa liberar até US$ 7 bilhões em novos aportes de grupos brasileiros nos EUA.

Apesar do otimismo, Chade observa que a cautela prevalece, já que não há clareza sobre quais setores seriam beneficiados nem sobre as contrapartidas que Washington poderá exigir.

Às vésperas da reunião, Lula afirmou que pretende “colocar todos os problemas na mesa”, referindo-se especialmente às tarifas de até 50% impostas por Washington sobre produtos brasileiros. O presidente destacou que o diálogo será pautado por “transparência e respeito” e enfatizou:

“Não temos exigências, mas temos posições.”

De acordo com a CNN Brasil, Lula negou que o governo americano tenha feito qualquer exigência prévia. Já o presidente Donald Trump, durante voo no Air Force One, sinalizou disposição em aliviar as tarifas “sob as condições certas”.

Reaproximação após período de tensão

A reunião na Malásia representa um movimento de reaproximação após um dos momentos mais delicados das relações entre os dois países nas últimas décadas. Em julho, Trump havia imposto uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e condicionado a normalização do diálogo à suspensão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu aliado político.

A guinada começou em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, quando Lula e Trump tiveram uma breve conversa que abriu espaço para o degelo diplomático. Desde então, os líderes mantiveram contatos telefônicos e agora planejam um encontro presencial à margem da Cúpula da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático).

Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-embaixador dos EUA no Brasil Thomas Shannon destacou dois fatores que explicam a mudança de postura da Casa Branca:

1. Trump reconheceu que não teria como interferir no processo judicial de Bolsonaro;

2. O impacto econômico negativo das tarifas sobre produtos brasileiros teria pressionado setores empresariais americanos.

Shannon, no entanto, acredita que a retomada do diálogo não deve resultar na revogação das sanções contra ministros do STF e outras autoridades brasileiras, afirmando que o foco das negociações será estritamente econômico.

Com o encontro na Malásia, Brasil e Estados Unidos tentam abrir uma nova fase de cooperação comercial, em meio a um cenário global de disputas geopolíticas e reorganização das cadeias produtivas. O resultado da reunião pode definir os rumos da relação bilateral pelos próximos anos.

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