Da Redação
A Irlanda elegeu neste sábado (25) sua nova presidente, Catherine Connolly, em um resultado que surpreendeu o establishment político e consolidou um avanço expressivo das forças de esquerda no país. A candidata independente, de 68 anos, obteve 63,4% dos votos e superou amplamente sua adversária Heather Humphreys, de centro, que ficou com 29,5%.
Connolly, advogada e deputada veterana, é conhecida por suas posições críticas em relação à União Europeia e aos Estados Unidos, bem como por sua defesa de políticas sociais mais amplas e pela denúncia das desigualdades que atingem os jovens e as famílias irlandesas. A nova presidente atribui à política governamental a responsabilidade pela crise habitacional que afeta o país e tem sido uma voz firme contra o aumento dos gastos militares da UE e a ofensiva israelense em Gaza.
Com o apoio de partidos de esquerda como Sinn Féin, Partido Trabalhista e Social-Democratas, Connolly conquistou setores amplos do eleitorado, em especial os mais jovens, por meio de uma campanha inovadora e popular nas redes sociais. Em um dos momentos mais comentados da campanha, chegou a aparecer em vídeos jogando futebol, gesto simbólico de proximidade com os eleitores.
O pleito, no entanto, foi marcado por uma elevada taxa de votos nulos — cerca de 13%, o maior percentual desde a criação do cargo, em 1938 — e uma participação relativamente baixa: apenas 40% dos 3,6 milhões de eleitores registrados compareceram às urnas. Analistas atribuem esses números à frustração com a limitação de opções no boletim de voto, já que esta foi a primeira eleição presidencial em 35 anos com apenas duas candidatas.
Connolly sucede Michael D. Higgins e se tornará, a partir de 11 de novembro, a terceira mulher a ocupar a Presidência da Irlanda. Embora o cargo tenha caráter majoritariamente cerimonial, sua vitória representa um forte recado político à coalizão de centro-direita que governa o país, e um sinal de que parte significativa da população busca uma alternativa ao modelo vigente.
Eleita com a maior margem de votos desde 1938, Catherine Connolly simboliza um novo momento na política irlandesa — em que o descontentamento social e o apelo por justiça econômica e soberania nacional ganharam força suficiente para transformar uma candidatura independente em um movimento vitorioso.
