Da Redação
A nova pesquisa AtlasIntel, divulgada em parceria com a Bloomberg e publicada nesta quinta-feira (24) pela Exame, aponta que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 51,2% de aprovação, o maior índice desde janeiro de 2024. A desaprovação recuou para 48,3%, enquanto 0,6% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de outubro de 2025, com 14.063 entrevistas digitais e margem de erro de ±1 ponto percentual. Segundo a AtlasIntel, a alta de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior indica uma tendência de estabilidade com leve melhora na percepção do governo.
Lula venceria no primeiro turno
A pesquisa também testou cenários eleitorais para 2026, e em todos eles Lula venceria no primeiro turno. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o petista tem 51,3% das intenções de voto, ante 30,4% do adversário. Em um cenário com Michelle Bolsonaro (PL), Lula registra 51%, contra 26,2% da ex-primeira-dama. Mesmo em um quadro com múltiplos adversários — Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr. (PSD) — o presidente aparece com 51%, enquanto os demais variam entre 10% e 15%.
Esses números reforçam a vantagem consolidada de Lula e indicam que, se a eleição fosse hoje, ele seria reeleito ainda no primeiro turno, cenário impulsionado pela recuperação de popularidade e pela dispersão das forças de oposição.
Avanço regional e desafios persistentes
A aprovação de Lula supera a desaprovação em todas as regiões do país, com exceção do Centro-Oeste, onde a avaliação negativa ainda predomina. O Nordeste mantém-se como o principal reduto de apoio, com índices acima de 60%, enquanto o Sudeste apresenta um equilíbrio entre opiniões positivas e negativas.
Entre os grupos sociais, a pesquisa mostra que mulheres têm visão mais favorável ao governo do que homens, e que a aprovação cresce entre pessoas com ensino superior completo. Já entre jovens e evangélicos, a desaprovação permanece alta: chega a 72% entre evangélicos, e mais de 60% entre eleitores de 16 a 24 anos.
Setores bem e mal avaliados
As políticas sociais, o comércio exterior e as relações internacionais são as áreas mais bem avaliadas do governo Lula. Em contrapartida, a segurança pública aparece como o ponto mais sensível, com apenas 1 ponto percentual de vantagem na percepção positiva em relação à negativa.
Especialistas destacam, porém, que a segurança pública que mais preocupa a população — aquela que afeta diretamente o cotidiano, como policiamento, criminalidade e violência urbana — é de responsabilidade dos governos estaduais. Apesar disso, a opinião pública frequentemente associa o tema ao governo federal, o que pode impactar a percepção sobre o desempenho presidencial.
Contexto histórico
Desde junho de 2023, quando a aprovação do governo chegou a 52%, a popularidade de Lula oscilou. Houve queda no fim de 2023, estabilização em 2024 e retomada gradual ao longo de 2025. O atual índice de 51,2% é o mais alto desde o início de 2024.
Interpretação política
Para analistas ouvidos pela Exame, manter a aprovação acima dos 50% é estrategicamente importante para o Planalto. O dado sinaliza que, mesmo com desafios econômicos e crises políticas pontuais, o governo preserva base social sólida e consistente.
