Da Redação
O físico e atual presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão (Rede), ainda não definiu se assumirá a vaga deixada por Guilherme Boulos (PSOL-SP) na Câmara dos Deputados. Boulos foi anunciado nesta segunda-feira (20) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Galvão é o primeiro suplente da coligação do PSOL e, em tese, seria o substituto natural do deputado. Em entrevista ao g1, o cientista afirmou que ainda não foi oficialmente procurado pelo partido ou pela Câmara e que há “dúvidas políticas” sobre a efetivação de seu nome. Segundo ele, parte da indefinição decorre da possibilidade de retorno da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), ao Legislativo após a COP-30, que será realizada em 2025 em Belém (PA).

O PSOL, contudo, informou em nota que Guajajara continuará no ministério até abril de 2026, quando deve deixar o cargo para disputar a reeleição. Caso essa decisão seja mantida, o caminho fica aberto para Galvão assumir o mandato.
Aos 77 anos, Ricardo Galvão é um dos nomes mais respeitados da ciência brasileira. Professor titular do Instituto de Física da USP, foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Ficou nacionalmente conhecido em 2019, após ser exonerado do Inpe pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem divergiu sobre dados de desmatamento na Amazônia.
Bolsonaro acusou o instituto de divulgar informações falsas e agir “a serviço de ONGs”, o que foi prontamente rebatido por Galvão, que defendeu a integridade técnica dos estudos. Sua postura lhe rendeu reconhecimento internacional: no mesmo ano, a revista Nature o incluiu entre as dez personalidades mais importantes da ciência mundial. Em 2021, recebeu o Prêmio de Liberdade e Responsabilidade Científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
Galvão foi condecorado com a Ordem Nacional do Mérito Científico e, desde 2023, preside o CNPq. Caso decida ocupar o mandato na Câmara, terá de pedir exoneração do cargo. Por ora, contudo, o físico adota cautela: quer aguardar as definições políticas dentro do PSOL e do governo antes de tomar uma decisão definitiva.
“Ainda não fui contatado oficialmente. Existe um diálogo em andamento, e é preciso avaliar os desdobramentos antes de qualquer decisão”, disse Galvão.
O desfecho da sucessão de Boulos deve ocorrer nas próximas semanas, à medida que o Palácio do Planalto formaliza as nomeações ministeriais e as bancadas reorganizam seus representantes no Congresso.
